18 de maio de 2015

Parlamentares evangélicos querem construir monumento da Bíblia e pregar em terminais de ônibus



Projetos geram debates na Câmara Municipal de Manaus. 
Em Manaus, dois projetos de lei apresentados por parlamentares evangélicos tem sido criticados pela população do Amazonas como irrelevantes diante de outras questões sociais. Um deles se refere à construção de uma Bíblia como monumento, e outro propõe que os terminais de ônibus da cidade recebam pregadores com microfone e caixas de som.

O vereador Amauri Colares (PROS), que prevê a construção de um monumento à Bíblia em Manaus, já obteve parecer favorável da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) da Câmara Municipal de Manaus (CMM). Agora o projeto será analisado pela Comissão de Finanças, Economia e Orçamento da Casa.

Se a proposta for aprovada, a captação de recursos para a construção do monumento ficará a cargo da Ordem dos Ministros Evangélicos do Amazonas (Omeam). Se houver mais de um projeto arquitetônico, o Executivo escolherá um vencedor. A Prefeitura de Manaus também ficaria responsável por fixar o local da obra, sendo que o Executivo tomaria as providências de sua competência para a execução da obra.

Já a vereadora Pastora Luciana (PP) propôs o Projeto de Lei que visa autorizar a realização de manifestações, palestras e cultos religiosos nos terminais de ônibus da capital. No entanto, vereador Everaldo Farias (PV), presidente da Comissão de Vigilância Permanente da Amazônia e Meio Ambiente da Câmara Municipal de Manaus (CMM), pediu que a proposta fosse retirada de tramitação.

A orientação do vereador ocorreu depois que a pastora afirmou, em reunião com 200 missionários, que não seriam utilizados amplificadores de som em pregações nos terminais de ônibus, que seriam feitas apenas com a própria voz. Everaldo esclareceu que, se os missionários usarem apenas a própria voz nas pregações religiosas nos terminais de ônibus, o projeto da Pastora Luciana perderia o sentido porque a ideia da vereadora é justamente autorizar o uso de equipamentos de som, amplificadores e caixas de som. A pastora Luciana deixou claro que não retirará o projeto.
 
Crítica

Para o sociólogo e professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Luis Antônio Nascimento, é “vergonhoso” ver representantes eleitos se preocuparem com temas como um monumento à Bíblia ou a pregação religiosa em terminais de ônibus, e não com assuntos mais relevantes. “É vergonhoso parlamentares que não se preocupam em melhorar o transporte, saúde e educação, lutando para construir monumentos à Bíblia. A pergunta que faço a esses parlamentares é, você deve promover a Bíblia ou o bem estar da população?”, questionou.

Na análise do vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil Seção Amazonas (OAB-AM), Marco Aurélio Choy, o projeto de construção do monumento à Bíblia não fere a liberdade de crença religiosa da população de Manaus, porque a Bíblia é um livro de grande importânica para a humanidade e utilizado em várias religiões. “Não vejo problema, porque a Bíblia é um livro histórico e antigo que faz parte da sociedade há muitos anos”, declarou.