26 de maio de 2015

Osama bin Laden discordava da formação do Estado Islâmico, segundo carta




Apoiador do grupo extremista paquistanês 'Jamiat-e-ulema-e-Islam' segura cartaz com foto do ex-líder da al-Qaeda, Osama bin Laden, durante manifestação contra a ação dos Estados Unidos no Oriente MédioFundador da al-Qaeda e mentor dos ataques de 11 de Setembro nos Estados Unidos, Osama bin Laden teria advertido repetidamente os seus apoiantes contra a formação de grupo terrorista Estado Islâmico, segundo documentos recém-divulgados pelo Escritório do Diretor de Inteligência Nacional dos Estados Unidos.

Em uma carta dirigida ao Atiyah Abd al-Rahman, um líder da al-Qaeda já falecido, Bin Laden disse que 'os esforços precisam manter o foco em atacar a América, em vez de estabelecer o Estado Islâmico'.

"Você deve pedir-lhes que parem de insistir na formação de um Estado islâmico enquanto é tempo, e que trabalhem para quebrar o poder do nosso principal inimigo ao atacar as embaixadas americanas nos países africanos, como Serra Leoa, Togo, e, principalmente, para atacar as companhias petrolíferas americanas", instruiu bin Laden, de acordo com uma tradução da carta, em Inglês.

O fundador da Al-Qaeda, que foi baleado e morto por fuzileiros navais do pelotão de elite 'SEALS', no Paquistão em 2 de maio de 2011 explicou que qualquer tentativa de se estabelecer um 'Estado islâmico' precisaria esperar até que os Estados Unidos fossem completamente expulsos do Oriente Médio.

"Devemos salientar sobre a importância do momento em que se estabelece o Estado islâmico. Devemos estar cientes de que o planejamento para o estabelecimento do Estado começa com a eliminação do principal poder influente [dos Estados Unidos], que reforçou o cerco sobre o governo do Hamas, e que derrubou o Emirado Islâmico do Afeganistão e do Iraque", continua a carta.

"Devemos ter em mente que este poder principal ainda tem a capacidade de colocar o cerco em qualquer Estado islâmico, e que tal cerco pode forçar as pessoas a derrubar seus governos devidamente eleitos. Temos que continuar com o desgaste [às forças norte-americanas], esgotando-os até que se tornem tão fracos que não possam derrubar nenhum Estado que nós estabelecermos. Esta vai ser a hora de começar com a formação do Estado islâmico".

Segundo fontes como a 'Voz da América' e outras, O EI parece teria ignorado este conselho, declarando-se como o "Estado islâmico" no território do Iraque e da Síria. Enquanto o grupo terrorista capturou território significativo na região, enfrenta uma guerra terrestre contra as forças do governo iraquiano, sírio, milícias locais, bem como contra ataques aéreos realizados pelos EUA e uma ampla coalizão de aliados internacionais.

A atual liderança da Al-Qaeda continua se opondo ao EI, apesar de uma série de outros grupos jihadistas terem jurado lealdade a este último, incluindo o Boko Haram na Nigéria.

A CNN observou que um total de 103 documentos foram liberados, o que o torna o maior repositório de correspondências entre Bin Laden e os membros da Al-Qaeda, já colocados à disposição do público.

Eles representam apenas uma parte das centenas de documentos recuperados a partir de computadores e meios digitais que os oficiais da SEALs recuperaram a partir do composto de Bin Laden no Paquistão. A descoberta mostrou que Bin Laden tinha o hábito de rever exaustivamente suas cartas, como alguns dos memorandos que ele escreveu, os quais foram revistos cerca de 50 vezes.

Entre os documentos, há uma colecção digital de 266 livros escritos em inglês, também apelidado de "estante de Osama".

Entre os livros, estão títulos como "Obama's Wars" ("Guerras de Obama"), escrito por Bob Woodward, que detalha como os EUA administriou as ações de suas tropas no Afeganistão em 2009 e 2010 e livros publicados pelo autor norte-americano, Noam Chomsky, além de um material de pesquisa sobre a forma ocidental como instituições acadêmicas e centros de pesquisa estão avaliando a al-Qaeda.

Enfraquecimento
A divulgação desta notícia veio pelas mãos do Escritório de Inteligência norte-americana em um momento estratégico de combate ao Estado Islâmico e pode abalar um pouco mais as estruturas do grupo terrorista.

Ainda neste mês de maio, a morte de Abu Sayyaf - um dos líderes do Estado Islâmico no leste da Síria e a retomada de territórios conquistados por seus aliados do Boko Haram, na Nigéria representaram perdas para a organização, que tem empreendido uma perseguição evidente contra minorias étnicas e religiosas (principalmente cristãos), investindo inclusive na publicação de vídeos, nos quais pessoas que não negam sua fé são decapitadas ou fuziladas.