7 de maio de 2015

Igrejas bilíngues são abertas para haitianos em bairro de SP




Igrejas bilíngues são abertas para haitianos em bairro de SP

Ao menos três igrejas evangélicas fazem cultos bilíngues, como a Igreja Assembleia de Deus e a Igreja Batista Bethlehem
Os haitianos mudaram a cara das igrejas evangélicas no Glicério, bairro vizinho da Liberdade, tradicional reduto oriental da capital de São Paulo. O novo "bairro negro" é também formado por africanos, mas os haitianos são a maioria.
"Pode escrever aí, mais um ano e o Glicério vai ter só loja de haitianos", vaticina o pastor Luciano Gomes (44), que aprendeu francês e creole [língua derivada do francês].
Ao menos três igrejas evangélicas fazem cultos bilíngues, como a Igreja Assembleia de Deus e a Igreja Batista Bethlehem. Lojas de roupas, cabeleireiros, lan houses e um restaurante de comida típica também abriram portas na região. Aos poucos, o a nova população tem feito seu dinheiro girar no bairro.
O maior fluxo de haitianos é concentrado na rua do Glicério, na entidade Missão Paz – ligada à Pastoral do Migrante. Desde o início do ano passado, o local passou a abrigar imigrantes enviados pelo governo do Acre, por onde chegam ao país. Diariamente, cerca de cem novos haitianos vinham sendo enviados a São Paulo.
Nem todos, porém, encontram oportunidades quando chegam à capital paulista. Metade dos fiéis da igreja do pastor Luciano está desempregada. Charles Lunes, 33, é um deles: paga R$ 600 de aluguel e vive com os R$ 300 que restam do salário da mulher. Enquanto procura por trabalho, frequenta a Assembleia de Deus.
"São pessoas que vieram para cá depois de ir para o Sul. Os contratos acabaram e então voltaram", diz o pastor.