25 de maio de 2015

Doutor em ciências da religião analisa questões do filme 'Mad Max' à luz da teologia cristã



Mad Max 

O filme 'Mad Max: Estrada da Fúria', estreou no cinema nesse mês de maio, mas não é de hoje que a história é contada e ganhou admiradores. O primeiro filme da saga foi lançado em 1979, dando destaque a Mel Gibson como estrela.

Em 1982, Carlos R. Caldas Filho, doutor em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo, foi ao cinema assistir 'Mad Max 2 – A caçada continua'. A ida ao cinema despertou a admiração por toda a saga de Max, um policial que teve o parceiro de patrulhamento, a esposa e o filhinho mortos por uma gangue de motoqueiros que vandalizava pequenas cidades.

A partir de então, o protagonista toma nas mãos a justiça e vingança por considerar toda a perda seu pior fracasso.

Trinta anos depois do primeiro filme, 'Mad Max: Estrada da Fúria' chega às telonas e com George Miller, mesmo diretor dos primeiros, despertou algo a mais em Carlos R. Caldas Filho.

Em um artigo publicado na Ultimato, ele analisou quatro pontes possíveis de diálogo entre a narrativa do filme e a teologia cristã.

A primeira delas é a questão dos combustíveis fósseis, tema do segundo e do mais recente filme da saga. Aqui, Carlos destaca a a necessidade de consumo imposta pelo capitalismo. "O consumismo é um valor da religião do mercado, não da fé cristã, que se pauta pela solidariedade."

A questão da água, retratada no filme com o controle do vilão sobre a quantidade e periodicidade que a população recebe água, é mostrada por Carlos com questionamentos sobre pensar em como a água é importante na teologia bíblica.

"A seca no Sudeste brasileiro neste fim de 2014 e início de 2015 conseguiu chamar a atenção da grande imprensa e do povo em geral para este problema tão delicado. Não consigo entender como um tema tão importante na Bíblia e tão necessário para a vida não seja tema da reflexão teológica evangélica no Brasil", escreveu ele.

O autor também citou a questão da escravidão do ser humano pelo próprio ser humano. O tema da escravidão é mais que importante na teologia bíblica. E hoje, com tantos recursos e tanta tecnologia, há mais escravos que jamais houve em toda a história da humanidade. O Brasil tem muitos trabalhadores escravos hoje. E mais uma vez em nosso contexto brasileiro as teologias que se pretendem certas e corretas à luz da Bíblia não fazem ouvir sua voz de denúncia e protesto diante desta situação", lamenta.

O fanatismo religioso é a última questão do filme listada por Carlos. Ele diz que Immortan Lee, vilão do filme, se apresenta como um messias, e comenta: 'qualquer semelhança com jovens membrosde grupos terroristas radicais de inspiração religiosa hoje não é mera coincidência'.

"Ele se coloca no lugar de Deus, fazendo lembrar todos os líderes políticos da história que tentaram assumir um lugar que não lhes pertence, o lugar que apenas é daquele que 'remove reis e estabelece reis' (cf. Dn 2.21)."