26 de maio de 2015

Aos 95 anos, tapioqueira afirma: 'eu só paro de trabalhar quando morrer'



Maria Anunciada de Souza Caruaru  (Foto: Thays Estarque/ G1)
Na esquina da Rua Dácio Espácio de Lima com a Praça Teotônio Vilela, em Caruaru, Agreste de Pernambuco, uma senhora de 95 anos vende há 58 uma das comidas mais típicas do São João nordestino: a tapioca. Maria Anunciada de Souza, dona Maria como gosta de ser chamada, conta a história de superação e independência entre uma divertida gargalhada e a receita da guloseima.

Dona Maria, que é de Cacimbinhas (AL), chegou ao município pernambucano para trabalhar como empregada doméstica, porém a oportunidade durou pouco. "Trabalhava muito e ganhava pouco, mas era meu trabalhinho. Quando acabou, fiquei sem saber o que fazer. Não conseguia mais ter minhas coisinhas", relembra. Já viúva e com uma filha pequena, a ideia de vender tapiocas surgiu quando visitava a Feira de Caruaru. "Comecei vendendo cocada, mas percebi que as tapioqueiras ganhavam mais. Foi a forma que encontrei para sustentar minha família. Todo mundo gosta de tapioca, né?".

Encarregado de trocar o dinheiro que dona Maria ganha, o cabeleireiro Antônio Vicente, de 50 anos, diz que é o grande amigo dela. "Sou o companheiro de noitada. Sempre a ajudo a recolher a barraquinha, dou apoio, converso e quando está doente vou à casa dela para ver como está. Viramos grandes amigos".

Cliente há 20 anos de dona Maria, José Carlos Ferreira, de 59, diz que todos no bairro a adoram. "O carinho por ela é muito grande. As tapiocas são uma delícia e fazemos questão de comprar para ajudá-la", relata.

"É uma lição de vida. Ela é uma estimada figura de Caruaru. A gente sente a felicidade dela em trabalhar", comenta a dona de casa Josélia Oliveira da Silva, de 48 anos.

Moradora do Rio de Janeiro há 35 anos, a caruaruense Maria José Oliveira, 57, não acreditou na idade da tapioqueira. "É impressionante encontrar uma pessoa nessa idade ainda trabalhando. É um exemplo".