10 de março de 2015

Conselho Islâmico da Malásia perde ação sobre CDs de cristã


 Conselho Islâmico da Malásia perde ação sobre CDs de cristã



Ela teve seus CDs apreendidos porque eles tinham a palavra `Alá´ nos títulos
O Tribunal de Recurso da Malásia rejeitou um pedido do Conselho Islâmico Federal para intervir em um caso de uma cristã em seu direito fundamental a usar a palavra "Alá". Jill Ireland, de 33 anos, balconista em Sarawak, teve oito CDs de músicas cristãs apreendidos em um aeroporto em 2008, quando ela tentou transportá-los da Indonésia para a Malásia. O motivo da apreensão é que eles tinham a palavra “Alá” nos títulos.
Seu caso foi parar nos tribunais ao mesmo tempo em que o jornal semanal Herald, também cristão, pleiteava o direito de usar a palavra “Alá” quando quisesse se referir a Deus. Essa batalha na justiça foi perdida, quando o Tribunal Federal determinou que o jornal não mais poderia chamar Deus de “Alá” em suas publicações. A decisão foi tomada em janeiro deste ano, após sete anos de julgamento. 
Nessa decisão, o Tribunal Federal concordou com o governo que o uso de "Alá" no Herald iria confundir muçulmanos malaios e, portanto, promover negativamente a fé cristã entre eles. No entanto, mesmo com a derrota diante dos tribunais, o editor do semanário, Lawrence Andrew recusou-se a acatar as tentativas por parte de grupos religiosos islâmicos que procuram estender a decisão contra ele para cobrir todos os aspectos do culto cristão em língua malaia. Ele entrou com recurso no Supremo, alegando que a palavra ‘Alá’ para se designar a Deus, existe muito antes do Islã e foi utilizado por cristãos europeus centenas de anos antes do islamismo entrar na Malásia (que só é reconhecida como país há 58 anos). “Estou esperançoso de que o direito constitucional de liberdade religiosa na Malásia seja mantido”, relata.

No entanto, no caso de Jill Ireland, em julho de 2014, o Supremo Tribunal de Kuala Lumpur ordenou so Ministério dos Assuntos Internos a devolução dos CDs. Mas o Tribunal de Justiça recusou-se, em seguida, e entrou com apelo, se referindo ao direito constitucional de usar a palavra.
A Federeção Nacional Cristão Evangélica da Malásia vê o caso de Jill Ireland como mais uma tentativa de minar a liberdade religiosa dos não-muçulmanos: "Esta é outra tentativa séria de se despir, restringir, e alterar o direito de professar e praticar a sua fé em Jesus”, afirma a entidade.