25 de fevereiro de 2015

Fundo do FGTS tem mais de R$ 11 bi aplicados em grupos da Lava Jato


Fundo do FGTS tem mais de R$ 11 bi aplicados em grupos da Lava Jato


Valor representa pouco mais de 1/3 de todos investimentos do FI-FGTS

O Fundo de Investimento (FI) com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para obras de infraestrutura tem mais de R$ 11 bilhões em recursos aplicados em empresas que fazem parte de grupos investigados na operação Lava Jato, confirmou nesta segunda-feira (23) a Caixa Econômica Federal, responsável por sua administração.
Ao todo, os recursos do FI-FGTS em infraestrutura somaram R$ 31,49 bilhões em setembro de 2014 (última posição disponível), de acordo com dados oficiais.
Segundo o vice-presidente de Gestão de Ativos de Terceiros da Caixa, Marcos Vasconcelos, quando são consideradas apenas as empresas citadas diretamente na operação Lava Jato, e não os grupos (holdings), o valor de aplicações do fundo é menor: cerca de R$ 3 bilhões.
O executivo da Caixa negou interferência política para liberação dos recursos para as empresas investigadas na operação Lava Jato. Pelo modelo do FI-FGTS, as aplicações são decididas, em última instância, por um comitê de investimentos, formado, em sua maioria (6 integrantes) por pessoas indicadas pelo governo. Outros três membros são representantes de trabalhadores e três pessoas são indicados pelos empregadores.
“Não há qualquer influência política. Essas empresas [nos quais os recursos foram aplicados] fizeram investimentos. A análise de investimentos demora de oito meses a um ano e meio”, disse Vasconcelos, acrescentando que o comitê de investimentos é a última instância de decisão. Antes disso, os investimentos, segundo ele, têm de passar por análises de seis comitês,  e, também, de uma das três grandes agências de risco (Moodys, Standard & Poors ou Fitch), além de avaliações de equipes internas e externas. “São projetos de complexidade grande”, declarou.
De acordo com o vice-presidente da Caixa, “não há nenhuma perda para o FI-FGTS” nas aplicações feitas nas empresas envolvidas na Lava Jato. “Todos ativos estão performando [tendo retorno] de acordo com o esperado. Nos ativos de dívida, não há inadimplência, com retorno acima da Selic [atualmente em 11,25% ao ano]”, declarou. Em 2014, disse ele, o retorno dos investimentos vai atingir o “benchmark” (objetivo) de 6% mais a variação da Taxa Referencial. Ele admitiu, porém, preocupação com a Sete Brasil, fornecedora de plataformas e sondas para a Petrobras – que, informou o executivo da Caixa, precisa de empréstimo.
Marcos Vasconcelos, da Caixa, lembrou que o FI-FGTS foi criado em 2007 e começou a funcionar no ano seguinte, com o foco de direcionar recursos para investimentos em projetos de infraestrutura. Pelas regras, sete setores pode receber os investimentos: saneamento, rodovias, ferrovias, energia, hidrovias, portos e aeroportos. O governo avalia a possibilidade de, no futuro, os trabalhadores poderem aplicar os recursos de suas contas vinculadas no FGTS neste fundo de investimento.