27 de fevereiro de 2015

Fé online: a maioria dos pastores acredita que futuro da Igreja está na internet, diz pesquisa


Fé online: a maioria dos pastores acredita que futuro da Igreja está na internet, diz pesquisa
O futuro da igreja cristã passa pela internet. Essa é uma das conclusões possíveis a partir de uma pesquisa realizada pelo Instituto Barna com pastores evangélicos nos Estados Unidos.
O levantamento demonstrou que vem crescendo a influência da rede mundial de computadores na forma como os pastores conduzem suas igrejas e preparam os sermões.
Em comparação com a última pesquisa desse tipo feita pelo mesmo instituto, no ano 2000, muitas coisas mudaram. Hoje, 13% dos pastores entende que a internet vem sendo usada para “espalhar heresias e distorcer o cristianismo”, mas possui potencial para “espalhar o cristianismo autêntico”. Há 15 anos, esse número era de 17%.
Para a maioria dos pastores, 55%, as igrejas precisam possuir um site com conteúdo relevante para ter um desempenho significativo. Uma década e meia atrás esse número era de apenas 26%.
A disponibilização de textos, MP3, vídeos e outros materiais para download gratuito é vista por 55% dos pastores como uma boa forma de investimento dos recursos da igreja. No ano 2000, apenas 31% pensava dessa maneira.
As pesquisas do Instituto Barna sobre as tendências das igrejas norte-americana geralmente são vistas por especialistas como uma forma de antecipar o que acontecerá na maioria das denominações ao redor do mundo, mesmo que os eventos sejam separados por anos ou décadas. No Brasil, já existem denominações que transmitem seus cultos ao vivo pela internet e disponibilizam o conteúdo para acesso em seus sites.
O surgimento das redes sociais na internet, a popularização dos smartphones e tablets e a inclusão digital foram fatores importantes na mudança da visão dos pastores a respeito do uso das ferramentas online.
Atualmente, 47% dos pastores acredita que a tendência é que cresça o número de pessoas que manterão contato com a fé apenas através da internet nos próximos anos. Nesse contexto, 11% dos líderes evangélicos acreditam que é inevitável que isso se transforme em realidade, enquanto que 17% acreditam que isso jamais acontecerá. Porém, há 15 anos, o número de pastores que acreditava ser impossível que as igrejas tivessem frequentadores online era de 26%.
Analisando essa questão a partir da visão teológica, 89% dos pastores entrevistados acreditam que não há problema nisso. Eles acreditam que é “teologicamente aceitável” que as pessoas busquem “assistência à fé” através da internet. No ano 2000, a maioria era o exato oposto: 78% acreditavam ser inaceitável a partir do ponto de vista teológico que existisse uma espécie de comunhão online.
Uma amostra disso é o fato de 39% ter admitido que, de alguma maneira, eles próprios já fizeram isso em algum momento.  Há 15 anos, apenas 15% dos entrevistados admitiam usar a internet para a edificação espiritual pessoal.
“Pastores e líderes de igrejas cada vez mais percebem o quanto do seu ministério real agora acontece online… Além disso, a maioria dos líderes conhecem o potencial de ligação contínua  com os membros e visitantes através da Internet. Podcasts, mídias sociais, blogs, perguntas e  debates sobre o sermão e até mesmo pedidos de oração da comunidade. Não importa o tamanho da igreja, a Internet tornou-se e vai continuar sendo uma ferramenta vital para a divulgação do evangelho e até mesmo na formação espiritual”, afirmou Roxanne Stone, vice-presidente do Instituto Barna, segundo informações da Cristianismo Hoje.
Ela pondera, no entanto, que as igrejas dificilmente se permitirão abandonar os espaços físicos, pois a essência dos ministérios continua sendo a reunião em grupo: “Grande parte do trabalho de um pastor é focado na presença: a presença de uma comunidade de crentes, a presença na comunhão [ceia], presença no serviço dos outros, a presença na oração e adoração comunitária. A Internet pode oferecer um complemento importante e acessível a estas atividades físicas, mas os pastores não estão preparados para admitir que elas podem substituir totalmente a experiência no mundo real”, concluiu Stone.