22 de fevereiro de 2015

Explosão deixa mortos em marcha para lembrar revolução na Ucrânia

Três pessoas morreram neste domingo (22) na cidade de Kharkiv, no leste da Ucrânia, após uma explosão ocorrida durante a marcha para comemorar o primeiro aniversário da revolução que derrubou há exatamente um ano o ex-presidente ucraniano Viktor Yanukovich.
Inicialmente, o Ministério do Interior da Ucrânia informou que havia um morto e pelo menos dez feridos, segundo a agência Reuters. Em seguida, AFP e Reuters ouviram promotores de Justiça em Kharkiv, que afirmaram que três pessoas morreram. Um repórter da AFP viu pessoalmente dois corpos no local cobertos com bandeiras da Ucrânia.
Segundo a televisão local '112.Ukraina', a explosão aconteceu no início da passeata, a cerca de 100 metros do Palácio dos Esportes, onde tinha começado a manifestação, segundo um porta-voz das forças da segurança.
Um comunicado publicado pela polícia ucraniana no site do Ministério do Interior informa que se trata de um "objeto explosivo desconhecido" e que o caso está sendo tratado como um "ato terrorista".
Revolução
Há um ano, em 22 de fevereiro de 2014, o parlamento da Ucrânia destituiu Yanukovich, que na madrugada anterior tinha fugido de Kiev depois que setores mais radicais da oposição não aceitaram o acordo de compromisso que tinha assinado um dia antes, e que contemplava, entre outras coisas, eleições antecipadas.
Kharkiv, cidade com quase 1,5 milhão de habitantes, se transformou em meados de abril do ano passado em palco de manifestações pró-Rússia ao mesmo tempo em que as capitais das regiões vizinhas de Donetsk e Lugansk.

Embora os rebeldes pró-Rússia tenham conseguido então tomar alguns edifícios públicos na cidade, a contundência das forças de ordem ucranianas e a reticência da população em somar-se à rebelião evitaram que Kharkiv tivesse o mesmo destino que territórios vizinhos, mergulhados desde então numa sangrenta guerra.
Trégua?
O incidente com o explosivo ocorre em meio à notícia divulgada por diferentes fontes de ambos os lados do conflito de que os combates praticamente haviam cessado no leste ucraniano, e que Kiev e os separatistas pró-Rússia teriam concordado em iniciar a retirada das armas pesadas da linha de frente, para cumprir o cessar-fogo assinado em 12 de fevereiro em Minsk.
"Um acordo foi assinado para retirar as armas pesadas de toda a linha de frente", afirmou o general ucraniano Olexander Rozmaznin à AFP, segundo a qual os rebeldes pró-Rússia confirmaram o acordo.
Rozmaznin disse que ainda é cedo para dizer quando a operação terá início, mas alguns meios de comunicação ucranianos afirmaram que deve começar ainda neste domingo.
O general russo Alexander Lentsov, que trabalha para implementar uma trégua na região, confirmou à britânica BBC que os rebeldes deram ordens para completar a retirada das armas num prazo de duas semanas. Ele não sabia indicar se haveria reciprocidade por parte de Kiev.