28 de maio de 2013

Sequestradora de Pedrinho, Vilma Martins, é transferida para presídio


Vilma Martins é transferida de delegacia em Goiânia (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)


A ex-empresária Vilma Martins Costa foi transferida para a Casa de Prisão Provisória (CPP), no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, no final da tarde de segunda-feira (27). Conhecida pelo sequestro de dois bebês, um deles Pedro Rosalino Braule Pinto, o Pedrinho, ela acabou presa em flagrante, na última quarta-feira (23), com equipamentos furtados de uma clínica odontológica em Goiânia.
Autuada no 20º Distrito Policial (Setor Sudoeste) por receptação, Vilma foi levada na mesma noite para a carceragem da 14º Distrito Policial (Vila Pedroso), onde passou cinco dias. A esteticista Sônia Eliene Silva, 40 anos, presa juntamente com a ex-empresária, também acabou transferida para a CPP na tarde de segunda, segundo agentes de polícia.

G1 tentou contato com a gerência de comunicação da Agência Goiana do Sistema de Execução Penal (Agsep), mas não teve retorno.
Flagradas na tarde de quarta-feira (22) com aparelhos e equipamentos furtados de uma clínica odontológica no Setor Jardim Europa, Vilma Martins e Sônia Eliene foram autuadas por receptação qualificada. As duas passaram a noite na carceragem do 14º DP, na Vila Pedroso.Condenada a 15 anos de prisão pelos sequestros, Vilma cumpriu dois deles em regime fechado, três no semiaberto e conseguiu liberdade condicional em 2008. Autuada desta vez por receptação, Vilma pode perder a redução de pena.
Em entrevista ao G1, na cela do 20º DP, Vilma e Sônia negaram a acusação.
Vilma Martins e Sônia Eliene Silva, presas em Goiânia (Foto: Gabriela Lima/G1)
"Eu não devo nada. Nem desci do carro. Só estava fazendo um favor e agora estou aqui, nesta situação", defendeu-se a ex-empresária. Vilma alega que apenas deu uma carona para a esteticista, de quem é cliente. "Nunca fiz nada errado nos meus 57 anos de vida", garantiu.
Sônia também alegou que estava fazendo um favor. Segundo a esteticista, um conhecido pediu que ela levasse o material à loja de um técnico em assistência odontológica para perguntar se ele tinha interesse na compra. "Eu não tinha ideia que esses produtos eram roubados", afirmou.
Elas acabaram presas ao tentar vender os produtos a um técnico em assistência odontológica. Segundo o delegado que registrou o flagrante, Geraldo Caetano Brasil, o profissional havia sido avisado sobre o furto pela dona da clínica.
Quando Sônia chegou ao seu estabelecimento com o material, ele percebeu que todos eles estavam na lista passada pela odontóloga.
O técnico ligou para a dona da clínica e informou sobre as duas mulheres que estavam em sua loja com os produtos iguais aos dela. Uma teria ficado no carro e a outra descido e oferecido os produtos. Quando elas foram embora, o técnico as seguiu. Enquanto isso, a dentista chamou a Polícia Militar, que conseguiu interceptar o veículo onde a dupla estava em uma rua da Vila Planalto, próximo ao Terminal Bandeiras.
Condenação
Vilma Martins foi condenada, em 2003, a 15 anos e nove meses de prisão por subtrair Pedro Rosalino Braule Pinto, o Pedrinho, e Aparecida Fernanda Ribeiro da Silva, retirados de maternidades de Brasília e Goiânia em 1986 e 1979, respectivamente.
Em junho de 2008, ela ganhou o direito de cumprir pena em regime aberto. Em agosto daquele ano, depois de ter cumprido um terço da pena, Vilma obteve a liberdade condicional.
A pena imposta à ex-empresária chegaria até 2019, mas Vilma Martins terminou de cumpri-la sete anos antes do previsto. Segundo a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), ela foi beneficiada por três comutações de pena consecutivas, em 2009, 2010 e 2011.
A assessoria explicou que a comutação de pena ocorre por decreto presidencial no fim de cada ano. Para consegui-la, Vilma teria atendido critérios objetivos, como tempo mínimo de cumprimento da pena, e subjetivos, como bom comportamento e não reincidir no crime.
Pedro Rosalino Braule Pinto, o Pedrinho, com os pais - sequestrado por Vilma Martins (Foto: Sebastião Nogueira/O Popular - 22/02/2003)Pedrinho, sequestrado por Vilma, com os pais
(Foto: Sebastião Nogueira/O Popular - 22/02/2003)
Caso Pedrinho
O caso Pedrinho comoveu o país quando ele foi sequestrado, poucas horas depois de nascer, no dia 21 de janeiro de 1986, em uma maternidade de Brasília. A imprensa divulgou amplamente o crime. Mesmo com o passar dos anos, os pais biológicos da criança, Jayro Tapajós e Maria Auxiliadora Rosalina Braule Pinto, nunca desistiram de procurar o filho. Mais de uma década depois do sequestro, as fotos do bebê foram publicadas em vários sites de pessoas desaparecidas.
Foram várias pistas falsas. Até que, em 2002, Vilma Martins foi reconhecida como a sequestradora do bebê, que ela registrou como filho e deu o nome de Osvaldo Martins Borges Júnior, em Goiânia.
O crime só foi descoberto porque Gabriela Azeredo Borges, neta do marido de Vilma, começou a desconfiar que Osvaldo era o recém-nascido sequestrado em Brasília. Isso porque ela viu a foto dele no site SOS Criança, órgão da Secretaria de
Segurança Pública do Distrito Federal, e notou semelhanças com o neto do avô. A partir daí, continuou a investigar o caso pela internet.
Ao acessar o site Missing Kids, ela encontrou uma foto do pai biológico de Pedrinho e também o achou parecido com Osvaldo e, então, ligou para a instituição, em Brasília, em outubro de 2002. A polícia retomou as investigações do caso.
Um exame de DNA comprovou a suspeita de Gabriela e desmentiu a versão que Vilma sustentava até então para a polícia, de que a criança havia sido entregue ao marido – já falecido na época das denúncias - por um gari, em Brasília.
Pedrinho se encontrou pela primeira vez com os pais biológicos em novembro de 2002, mas continuou morando em Goiânia com as irmãs. Somente no ano seguinte, ele se mudou para Brasília, onde passou a viver com Jayro, Maria Auxiliadora e os irmãos biológicos. O jovem cursou direito, tornou-se advogado, casou-se e, no final do ano passado, teve o seu primeiro filho. Durante todo esse período, ele manteve contato com Vilma Martins.
Caso Roberta Jamilly
No decorrer das investigações sobre o caso Pedrinho, a polícia descobriu que Vilma Martins também havia sequestrado outra criança, registrada por ela com o nome de Roberta Jamilly Martins Borges.
Usando a saliva que a garota deixou em uma ponta de cigarro quando foi prestar depoimento na delegacia, a Polícia Civil solicitou um exame de DNA, sem o consentimento dela, e confirmou que ela não era filha biológica da ex-empresária. O nome verdadeiro da jovem era Aparecida Fernanda Ribeiro Ribeiro da Silva, retirada ainda recém-nascida da mãe, Francisca Maria Ribeiro da Silva, em uma maternidade de Goiânia.
Na época da descoberta, Roberta Jamilly conheceu a mãe biológica, mas, ao contrário de Pedrinho, preferiu continuar morando com Vilma Martins.