1 de maio de 2013



Pai de dentista queimada se sente 



ameaçado após ligação anônima


No telefonema, interlocutor se apresentou como traficante.
Moradores do ABC protestaram nesta terça-feira contra violência.



O pai da dentista Cinthya Magaly Moutinho de Souza, que morreu após ser queimada em um assalto, afirma se sentir ameaçado após receber uma ligação anônima. Ao Bom Dia São Paulo desta quarta-feira (1º), Viriato Gomes de Souza contou que, no telefonema, um homem se apresentou como traficante. A dentista foi queimada durante um assalto a seu consultório emSão Bernardo do Campo, no ABC, no dia 25 de abril.
"Recebemos a ligação de pessoas que se diziam traficantes e que nós estávamos fazendo uma palhaçada quando prenderam um amigo deles. E pergutaram se 'a queimadinha' ia atender. E depois soltaram gargalhadas. Agora eu estou receoso", disse Souza, que não quer mais mostrar o rosto.
Os quatro suspeitos de participar da morte da dentista já foram presos. O inquérito ainda não foi concluído e está sendo feito pelo 2º Distrito Policial de São Bernardo do Campo.
Nesta terça-feira (30), moradores do bairro Jardim Hollywood fizeram uma manifestação contra o assassinato da dentista. O protesto contra a violência começou por volta das 17h na Rua Copacabana, onde ficava o consultório da dentista.

Iara Aleixo, moradora do bairro, era colega da dentista e não quer que o crime seja esquecido."Daqui há dez dias ninguém vai se lembrar do que aconteceu com a Cinthya. Ela vai virar mais uma vítima. Não vamos deixar isso acontecer", ressaltou a advogada.
Gritando por justiça, os manifestantes pediam o fim da impunidade e a diminuição da maioridade penal. Segundo Eraldo Previato, um dos organizadores da manifestação, a comunidade da região deve criar uma ONG em nome de Cinthya. "Foi um horror o crime da Cinthya. Mesmo o pior ser humano do mundo não pode ser assassinado dessa maneira", afirmou Eraldo.
A deputada federal, Keiko Ota, mãe do garoto de oito anos, Yves Ota, sequestrado e assassinado após ter reconhecido um dos sequestradores, em São Paulo, em 1997, também se sensibilizou com o caso da dentista morta. "Estamos aqui hoje porque não nos conformamos com tanta violência no nosso país. Não existe uma dor maior para um pai e para uma mãe do que perder um filho. A família morre junto", disse Keiko.