19 de abril de 2013


Tremor de terra em Montes Claros atinge 3,7 de magnitude, diz UnB

Tremor ocorreu às 07h11, segundo o observatório sismológico da UnB.
Epicentro foi na Vila Atlântida, mas tremor foi sentido outros 11 bairros.

Tremor ocorreu às 07h11, segundo o observatório sismológico da UnB.
Epicentro foi na Vila Atlântida, mas tremor foi sentido outros 11 bairros.

Mais um forte tremor de terra assustou os moradores de Montes Claros (MG), nesta quinta-feira (18). O abalo ocorreu às 07h11 e atingiu 3,8 de magnitude, segundo o Observatório Sismológico de Brasília (Obsis), centro de pesquisa da Universidade de Brasília (UnB).
Às 9h, o Obsis informou que o tremor foi de 3,8 de magnitude, mas depois de um novo cálculo a partir de outras estações sismográficas, o Observatório corrigiu, informando às 10h, de que a magnitude foi de 3,7.
O epicentro do tremor foi no bairro Vila Atlântida, região noroeste da cidade. Mas moradores de pelo menos 11 bairros, em diferentes pontos da cidade, sentiram o abalo. O Corpo de Bombeiros recebeu mais de 200 ligações.
Rosilene estava no banho quando sentiu o tremor (Foto: Michelly Oda / G1)

"Eu estava tomando banho e ouvi um barulho muito forte nas paredes. Tive a sensação de que tudo iria desabar, queria sair correndo", conta Rosilene Santos, moradora do bairro Morrinhos.

A assistente social ficou tão nervosa que o marido, Juvanir Batista, teve que levá-la ao médico. "Ela estava muito alterada, tremendo e chorando sem parar", diz.
Como o abalo ocorreu no momento em que estudantes chegavam nas escolas, aulas tiveram que ser canceladas devido ao pânico, como ocorreu no bairro Santos Reis, um dos locais onde o tremor teve maior intensidade.
As aulas de uma escola estadual foram suspensas (Foto: Michelly Oda / G1)
"Houve muitos gritos e correrias, os alunos ficaram assustados e os professores não sabiam como agir", afirma Maria Francisa Silva, diretora da escola estadual Belvinda Ribeiro.
O estudante Tiago da Silva, de 8 anos, é um dos 500 que estavam no local. "Meus colegas gritava, choravam e saíriam correndo. Senti muito medo, parecia que a escola ia cair", diz o menino.
Outra instituição também teve o ritmo de aulas modificado na manhã desta quinta-feira,  no Cemei Nossa Senhora da Conceição, 160 crianças de dois a cinco anos estavam no local.
Professora conta que uma telha quase cai na cabeça de um de seus alunos (Foto: Michelly Oda / G1)

"Fazíamos a oração diária quando ouvimos um barulho que parecia uma bomba sendo explodida dentro da terra. Um telha caiu e por pouco não acertou uma das crianças. Após o susto, os pais buscaram os filhos", relembra a professora Fabrícia de Oliveira.
O técnico em mecânica, Sílvio Andrezo, estava no aeroporto Mário Ribeiro quando sentiu o abalo. "A estrutura tremeu bastante os taxistas que estavam no local saíram correndo", fala. Ele que morou em Campinas (SP) por quatro anos e há pouco tempo retornou para o Norte Minas.
"Quando dizia que era de Montes Claros, as pessoas logo comentavam, a você é da cidade onde a terra está tremendo, é uma fama que se espalhou pelo Brasil."
O que diz a ciência
Técnicos analisam área afetada por tremor e instalam sismógrafo (Foto: Divulgação/Observatório da UnB)Uma das estações existentes em Montes Claros
(Foto: Divulgação/Observatório da UnB)
O último forte tremor de terra registrado em Montes Claros foi em 19 de dezembro de 2012. O mais intenso ocorreu em 19 de maio de 2012, com magnitude 4.2  na escala Richter. Atualmente nove estações sismográficas móveis fazem o monitoramento dos abalos. Na próxima semana, uma estação permanente vai ser instalada e coordenada pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes).
O chefe da estação na universidade, Expedito Ferreira,  explica que os estudos começaram a ser feitos em junho de 2012 e já apontam que os tremores em Montes Claros devem ter magnitude máxima de cinco graus. O especialista afirma que o Brasil está localizado em cima de uma única placa, a Sulamericana, caso estivesse em um encontro de placas, como o Japão, a intensidade registrada seria maior, assim como os estragos.
O especialista ainda explica a causa dos abalos. "Há uma falha geológica na região Noroeste da cidade, quando há uma movimentação de placas ocorre a geração de energia, que é dissipada em forma de ondas. Não há uma periodicidade para a ocorrência dos tremores, eles podem acontecer e parar repentinamente."