19 de abril de 2013


Sobe para 14 o número de mortos em explosão em fábrica no Texas

Cinco bombeiros voluntários estão na lista oficial de desaparecidos.
Causas da explosão ainda são desconhecidas.


Pelo menos 14 pessoas morreram na explosão de uma fábrica de fertilizantes cheia de tanques com produtos químicos perigosos em West, no Estado norte-americano do Texas, afirmou nesta quinta-feira (18) o prefeito Tommy Muska.

Entre os 14 estão quatro técnicos de emergência médica mortos na explosão, que ocorreu na noite de quarta-feira depois que agentes combatiam um incêndio na fábrica. Cinco bombeiros voluntários estão na lista oficial de desaparecidos, disse Muska.
Mais cedo, autoridades haviam colocado o número de mortos entre 5 e 15 pessoas. Sob chuva fria, equipes de resgate buscavam sobreviventes em meio aos escombros de casas destruídas na explosão.
As causas da explosão ainda são desconhecidas. As autoridades dizem não haver indícios de sabotagem. Cerca de 160 pessoas ficaram feridas.
Um testemunha, em um carro, fez um vídeo impressionante de uma explosão.
É possível que o número de mortos cresça à medida que as equipes trabalhem nos destroços da própria fábrica e nos dos muitos imóveis atingidos por incêndios após a explosão.
A explosão ocorreu na fertilizadora West Fertilizer Co., no pequeno município localizado a 20 quilômetros ao norte de Waco, pouco antes das 20h locais  (22h de Brasília), e foi ouvida a mais de 70 quilômetros de distância.
Segundo a agência Reuters, o local do acidente pertence a Donald Adair, de 83 anos, e tem menos de dez empregados. A fábrica não era inspecionada pelas autoridades estaduais desde 2006, quando uma queixa sobre cheiro de amônia foi resolvida, segundo o diretor-executivo da Comissão de Qualidade Ambiental do Texas, Zak Covar. Ele disse que essas inspeções só ocorrem quando há queixas.

Naquela época, a Agência de Proteção Ambiental do governo federal impôs multa de 2.300 dólares à empresa por não implementar um plano de gestão de risco. Segundo a Reuters,  dono da fábrica não foi localizado para comentar.
A explosão provocou uma bola de fogo de quase 30 metros de largura, que depois virou uma nuvem em forma de cogumelo, segundo testemunhas.

"É como se uma bomba nuclear tivesse explodido", declarou ao canal CNN Tommy Muska, prefeito de West. "Eu nunca vi nada como isso", disse o xerife do condado de McLennan, Parnell McNamara. "Parece uma zona de guerra, com todos os destroços."
O Serviço Geológico dos Estados Unidos(USGS, em inglês), agência federal americana que monitora os terremotos pelo mundo, registrou um tremor sísmico de magnitude 2,1, que foi percebido como várias explosões sucessivas pelos moradores da região.
Um funcionário do governo disse que os danos são comparáveis à destruição causada pela explosão da bomba que em 1995 arrasou o Edifício Federal Murrah, em Oklahoma, matando 168 pessoas.
Há danos estruturais em muitos imóveis nas imediações da fábrica, com pelo menos 50 casas destroçadas. A região tem cerca de 2.800 habitantes.
Autoridades disseram que as chamas que continuavam dentro da fábrica representavam duas ameaças -- a possibilidade de desencadear novas explosões e a emissão de gases perigosos para a cidade.
O nitrato de amônia, substância usada em fertilizantes, pode ter potencializado a explosão, mas as causas ainda eram desconhecidas.
Pelo menos dez imóveis pegaram fogo imediatamente após a explosão. As chamas se espalharam para outros prédios e casas, incluindo uma escola e um asilo, de onde foram retiradas 133 pessoas. Segundo testemunhas, havia pessoas presas nesses imóveis.
Equipes de socorro, ambulâncias, corpos de segurança e outros veículos de emergência se deslocaram até o local e levaram feridos para um campo de futebol próximo, onde está funcionando um hospital de campanha.
O governador Rick Perry afirmou que mobilizou todas as equipes de resgate do estado do Texas para atuar na região. A Casa Branca informou que o presidente Barack Obama acompanha a situação.
à beira de uma linha ferroviária, bombeiro observa a área devastada pela explosão em West (Foto: LM Otero/AP)Bombeiro observa nesta quinta-feira (18) a área devastada pela explosão em West (Foto: LM Otero/AP)
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Bombeiros verificam um prédio destruído perto da companhia. (Foto: LM Otero / AP Photo)Bombeiros verificam um prédio destruído perto da companhia. (Foto: LM Otero / AP Photo)
Explosão pôde ser ouvida a quilômetros de distância. Fumaça na fábrica de fertilizantes também foi vista à distância. (Foto: Andy Bartee / AP Photo)Explosão pôde ser ouvida a quilômetros de distância. Fumaça na fábrica de fertilizantes também foi vista à distância. (Foto: Andy Bartee / AP Photo)
Imóveis destruídos pelo fogo. (Foto: LM Otero / AP Photo)Imóveis destruídos pelo fogo. (Foto: LM Otero / AP Photo)
Testemunhas
"Caí no chão. Foi como se tivessem levantado a estrada", relatou à rede de TV CNN Cheryl Marich, que teve a casa destruída.

Outra testemunha, Bill Bohannan, contou ao jornal "Waco Tribune-Herald" que "cada casa em quatro ruas ao redor foi afetada".

Crystal Anthony, que integra a junta do distrito escolar de West, disse que ela e a filha foram "jogadas" pela força da explosão, apesar de estarem a várias quadras da fábrica.

Um recepcionista de um hotel próximo disse que, ao que parece, "um pequeno incêndio começou e depois veio a explosão quando a água entrou em contato com amônia" usada na fábrica.
Ataque em Boston
Como o acidente ocorreu apenas dois dias após as explosões que mataram três pessoas e feriram cerca de 180 em Boston, Massachusetts, foi levantada pela imprensa e nas redes sociais a hipótese de um novo atentado.
O congressista pelo Texas Bill Flores, em entrevista à CNN, descartou essa possibilidade.
Na próxima sexta-feira, completam-se 20 anos da morte de 82 pessoas na vizinha cidade de Waco como resultado do cerco das autoridades contra o rancho de uma seita religiosa.
Na ocasião, morreram integrantes da seita e agentes federais.
Equipes de resgate trabalham perto de um complexo de apartamentos danificados. (Foto: Rod Aydelotte / Waco Tribune Herald / AP Photo)Equipes de resgate trabalham perto de um complexo de apartamentos danificados. (Foto: Rod Aydelotte / Waco Tribune Herald / AP Photo)