16 de abril de 2013


Sob protesto da oposição, Maduro é proclamado presidente da Venezuela


Candidato derrotado Henrique Capriles quer recontagem total de votos.
Ele foi derrotado pelo 'herdeiro' político de Chávez por margem estreita.


Em meio de fortes medidas de segurança, caravana do presidente Maduro chega ao Conselho Nacional Eleitoral. Mais de uma dúzia de veículos de escoltas e funcionários acompanham o presidente (Foto: Paula Ramón/G1)

O Conselho Nacional Eleitoral daVenezuela proclamou nesta segunda-feira (15) Nicolás Maduro como novo presidente, um dia após a vitória dele sobre Henrique Capriles nas urnas.
Maduro prometeu cumprir plenamente o legado do falecido mandatário Hugo Chávez, se declarando o primeiro governante chavista após o líder bolivariano. "Sou filho de Chávez, sou chavista, o primeiro presidente chavista depois de Hugo Chávez e vou cumprir plenamente seu legado de proteger os humildes, os pobres, de proteger a pátria e cuidar da independência, de cuidar da pátria e construir o socialismo", disse Maduro após sua proclamação, que ocorreu a despeito dos apelos da oposição por uma recontagem total dos votos.

A equipe de campanha de Maduro acusou Capriles de querer dar um golpe de Estado ao convocar uma mobilização popular para exigir a recontagem de votos. "O que está por trás de suas palavras de hoje, senhor Capriles, é a convocação de um golpe contra o Estado, as instituições, a democracia deste país", denunciou o chefe de campanha da situação, Jorge Rodríguez, ao canal oficial VTV.
O candidato derrotado Henrique Capriles reafirmou nesta segunda que considera Maduro um "presidente ilegítimo" até a recontagem de votos, com a qual o próprio Maduro concordou em seu discurso de vitória na véspera.
Maduro acena após chegar ao Conselho Nacional Eleitoral, em Caracas (Foto: Reuters)Maduro acena após chegar ao Conselho Nacional
Eleitoral, em Caracas (Foto: Reuters)
Confrontos
A polícia da Venezuela entrou em confronto com manifestantes e usou gás lacrimogêneo em Altamira, um bairro de luxo de Caracas, capital da Venezuela, nesta segunda-feira (15).
Os manifestantes gritavam slogans como "fraude" e "recontagem", em referência à exigência da oposição de que uma auditoria seja feita nos resultados das eleições presidenciais. Os manifestantes tentam tomar ruas centrais do bairro, e a polícia tenta contê-los.
'Interferências'
A Casa Branca disse que considera que uma auditoria nos resultados das eleições presidenciais seria um passo "importante, prudente e necessário". "Dado o resultado apertado, o candidato da oposição [Henrique Capriles] e pelo menos um membro do conselho eleitoral pediram uma auditoria de 100% dos resultados. Parece ser um passo importante, prudente e necessário para assegurar que todos os venezuelanos tenham confiança nestes resultados", disse o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney.
A autoridade eleitoral venezuelana disse que os comentários da Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre o pleito no país são 'interferências' nos assuntos domésticos, segundo a agência Reuters. O secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, respaldou a realização de uma recontagem de votos na Venezuela.