1 de abril de 2013

sao paulo


Polícia procura sobrevivente e testemunha de execução em SP

Câmeras flagraram veículo da Polícia Militar a poucos metros do crime.
Oito PMs foram presos neste fim de semana.

A Polícia Civil de São Paulo procura o sobrevivente e a testemunha da execução de dois jovens ocorrida no dia 16 de março na região central da capital. O crime foi gravado por câmeras de segurança e as imagens foram exibidas neste domingo (31) pelo Fantástico. O caso é investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
O sobrevivente que o departamento procura é o rapaz que aparece correndo nas cenas depois que uma dupla de motociclistas aponta armas para ele e mais dois amigos. O trio, que estava sentado numa calçada, na madrugada de março, no Brás, ergue as mãos para o alto e se vira de costas para a parede. Os motociclistas descem das motos sem tirar os capacetes e disparam nos amigos do rapaz, que consegue correr e foge. Os colegas do jovem morrem no local.
A outra testemunha que o DHPP tenta localizar é a pessoa que falava ao celular com uma das vítimas antes dela ser morta. Nas imagens, um dos jovens segurava o telefone no momento em que os motociclistas aparecem. A pessoa do outro lado da linha teria ouvido pelo aparelho: "Parado! Mão para cima, que é polícia".
“Os depoimentos dessas duas pessoas serão importantes para ajudar a investigação a esclarecer a autoria dos assassinatos”, disse a delegada Elisabete Sato, diretora do DHPP.
Cenas da execução
Oito policiais militares foram presos administrativamente por suspeita de participarem dos assassinatos, segundo a Polícia Militar. De acordo com Elisabete Sato, eles são investigados porque teriam dado cobertura para os atiradores, que fugiram após o crime. Os assassinos ainda não foram identificados. O G1 não conseguiu localizar os advogados dos oito PMs detidos para comentarem o assunto.
As imagens também mostram que um carro da PM estava próximo ao local onde ocorreu o assassinato. Uma outra câmera gravou a rua a partir de outro ângulo e mostra o veículo da corporação na esquina, a cerca de 50 metros do fato no momento dos disparos. Enquanto os assassinos atiravam, a viatura dos policiais estava de frente para a cena do crime.

Para Elizabete Sato essa imagem sugere, no mínimo, a omissão dos policiais. “Essa cena é bastante impressionante porque denota ao menos uma omissão por parte dos policiais, que poderiam ter agido no sentido de tentar impedir que essas duas pessoas fossem mortas”, afirmou a delegada.

Seis segundos depois do crime, a imagem mostra a passagem desse veículo da polícia. Oito minutos depois dos tiros, policiais isolaram a cena do crime. No boletim de ocorrência, registrado às 2h11, os PMs relataram que encontraram os corpos no chão. Não há informação sobre perseguição aos atiradores.
"Computando o espaço de tempo entre uma imagem e outra, é fração de segundos. Então, daria a impressão que talvez essa viatura estivesse dando cobertura aos executores", disse Elisabete Sato.

PMs presos
Por envolver a suspeita da participação de policiais militares num crime, a Corregedoria da PM instaurou procedimento para apurar o caso. Apesar disso, até as 9h30 desta segunda-feira, a assessoria de imprensa da Polícia Militar não havia informado para qual local foram levados os policiais suspeitos, o que eles disseram em suas defesas, e quais suas identidades e patentes.

Em nota, a PM havia informado anteriormente que "adotou providências para apurar as circunstâncias da ocorrência" e que "oito policiais militares já foram presos administrativamente".

Caso fique comprovada a participação ou a conivência dos policiais no assassinato, eles responderão pelo mesmo crime que os atiradores: homicídio.
Vítimas
Uma das vítimas tinha apenas 14 anos. Era filho de um catador de material reciclável, e era conhecido como Piauí. “Estava na hora errada, com a pessoa errada. Executaram ele na hora. Não deram tempo de ele respirar”, afirmou o pai, que, por motivos de segurança, não teve seu nome divulgado.

Para a polícia, o local do crime é um conhecido ponto de venda e uso de drogas. Mas, segundo a família, o garoto Piauí não era usuário. "Que eu saiba não, ele não usava droga. Só se usava fora, aqui dentro de casa nunca usou, nunca peguei ele com nada”, disse o pai.
Segundo o registro policial, no corpo de Piauí havia seis marcas de tiros. Na outra vítima, que tinha 18 anos, eram 12 perfurações. A polícia não divulgou o nome do rapaz.