2 de abril de 2013

RIO DE JANEIRO


Crime da mala: "Seu filho vai pra você morto e picado", diz trecho da carta escrita por manicure

Anotações foram entregues pela mãe de Suzana à Delegacia de Barra do Piraí

Carta

Manicure pretendia pedir resgate de R$ 300 mil pelo menino

A mãe da manicure Suzana de Oliveira, de 22 anos, entregou nesta segunda-feira (1º) ao delegado José Mário Salomão, da Delegacia de Barra do Piraí (88ª DP), um caderno com anotações feitas pela filha premeditando a morte da criança. Em um trecho da carta, supostamente direcionado à mãe da vítima, a manicure diz que “se você envolver mais alguém ou a polícia, seu filho vai pra você morto e picado em pedaços”.
Embora a carta sugira que a intenção da manicure era sequestrar João Felipe e conseguir o valor de R$ 300 mil pelo resgate, o delegado diz acreditar que a verdadeira intenção da suspeita era matar o menino.
Taxista diz se sentir culpado
O taxista Rafael Fernandes se culpa por ter levado a manicure Susana do Carmo de Oliveira até a escola de João Felipe. Sem conhecer os planos de Susana, Rafael ainda deixou os dois em um hotel no centro de Barra do Piraí, no sul fluminense.
Lá, segundo a polícia, a manicure usou uma toalha para asfixiar João Felipe. Após ligar para o colégio se passando pela mãe do garoto, a manicure foi apanhá-lo no táxi de Rafael. A pedido de Susana, ele chegou a entrar na escola para pegar o menino.
— O sentimento é de culpa, culpa. Eu tirei ele de dentro do colégio. Ele me estendeu a mão. Ele nem me conhecia e ele estendeu a mão. Eu tirei ele de dentro do colégio e botei ele dentro do carro. Ela estava falando ao celular e, quando eu parei em frente ao portão da escola, ela falou: “Olha o João ali, você pega ele pra mim”.
De acordo com Rafael, a manicure, que era amiga dos pais de João Felipe, demonstrou intimidade com o garoto durante todo o percurso. Para justificar o desembarque no hotel, Susana disse a ele que apartamento dela estava passando por obras.
— Eles foram brincando do percurso do colégio até o hotel. E indo para o hotel, ela tinha dito que estava hospedada no hotel porque o apartamento dela estava pintando.
Taxista armou emboscada para assassina
Susana usou um segundo taxista para tirar o corpo da criança do hotel. Mas foi Rafael quem entregou a manicure para polícia. Ele conta que ficou sabendo por um colega que o garoto estava desaparecido. Rafael, que costuma gravar os números de telefone dos passageiros em seu celular, resolveu armar uma emboscada para a assassina. 
— Eu liguei e ela falou: “eu posso confiar em você mesmo?” Eu falei: “pode confiar”. Aí falou: “está bom, eu estou no morro do gama”. Aí, retornei o carro, subi, e encontrei ela nesse bairro. Foi quando botei ela no carro e falei: “entra”. Depois que ela entrou no carro, eu travei a porta e fui embora. 

A manicure, que está presa no Complexo Penitenciário de Bangu, zona oeste do Rio, já deu cinco versões para o crime. Em uma delas, Susana diz que matou o menino para se vingar do pai, com quem teria um relacionamento. 

Com base nas imagens de segurança do hotel, o titular da Delegacia de Barra do Piraí (88ª DP), José Mário Omena, diz não ter mais nenhuma dúvida de que a manicure agiu sozinha. 

— Os indícios apontam pra um crime passional praticado por uma pessoa que não tem o menor compromisso com a vida, com o sentimento de ninguém.