29 de abril de 2013



Polícia Militar ocupa a comunidade 



Cerro-Corá, na Zona Sul do Rio

Operação começou às 5h e em 30 minutos a favela já estava ocupada.
Polícia revista moradores e faz varredura na comunidade.


Cerca de 400 homens do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), do Batalhão de Choque e do Batalhão de Ação com Cães estão na comunidade. (Foto: Mariucha Machado / TV Globo)Cerca de 400 homens do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), do Batalhão de Choque e do Batalhão de Ação com Cães estão na comunidade. (Foto: Mariucha Machado / TV Globo)
A comunidade Cerro-Corá, no Cosme Velho, na Zona Sul do Rio, foi ocupada as 5h30 desta segunda-feira (29) por homens da Polícia Militar. A PM entrou na comunidade às 5h e depois de meia hora realizava varredura e revistava moradores. Cerca de 400 homens do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), do Batalhão de Choque e do Batalhão de Ação com Cães estão na comunidade.
Segundo o coronel Frederico Caldas, relações públicas da PM, a ação representa o fechamento do cerco na Zona Sul da cidade, que é um importante ponto turístico do Rio.

“A vinda do papa e o aumento o fluxo turístico explica a nossa entrada. O que acabou contribuindo para a ocupação foram os delitos ainda que estavam ocorrendo na região. O serviço de inteligência mostrava que os marginais estavam se refugiando aqui. Agora, eles perderam do território”, afirmou o coronel, destacando que trinta minutos foram suficientes Ainda de acordo com o coronel, em um mês deve acontecer a implantação da UPP na comunidade, que deve contar com a atuação de 190 policiais. Até as 6h não havia registro de prisões e apreensões. Duas comunidades vizinhas, Guararapes e Vila Cândida, também foram ocupadas. As três favelas ficam no morro entre as duas galerias do Túnel Rebouças.
Segundo o major Busnello, do Bope, que comandou a ocupação nas comunidades, o terreno está completamente dominado. "A comunidade agora passa para a segunda fase, que é a instalação da nossa base", afirmou o major, ressaltando que é fundamental que a população colabore e envie informações para o disque-denúncia ou para as redes sociais do Bope (twitter e facebook).
Polícia entrou na comunidade Cerro-Corá por volta das 5h desta segunda-feira (Foto: Renata Soares / G1)Polícia entrou na comunidade Cerro-Corá por volta das 5h desta segunda-feira (Foto: Renata Soares / G1)
A ação é uma mudança nos planos da Secretaria de Segurança Pública, que após a ocupação da Barreira do Vasco e do Caju, em março, anunciou que o Conjunto de Favelas da Maré seria o próximo local a receber uma unidade pacificadora. O Bope permanecerá na comunidade até a instalação da UPP.
Polícia Militar ocupa a comunidade Cerro-Corá, na Zona Sul do Rio. (Foto: Mariucha Machado / TV Globo)Polícia Militar ocupa a comunidade Cerro-Corá.
(Foto: Mariucha Machado / TV Globo)
A favela fica próxima ao acessos ao Cristo Redentor, em rota que terá aumento de visitantes e deve ter a passagem do Papa na Jornada Mundial da Juventude, em julho. No início de abril, uma van com um grupo deturistas alemães foi assaltada na Estrada da Paineiras e o fato teve repercussão mundial.
Até as 7h, não havia registro de troca de tiros no local e moradores circulavam tranquilamente pela comunidade. "Aqui é muito tranquilo, é um recanto de turistas. Aqui, à noite, as pessoas se reúnem para um pagodinho. Eu nasci e fui criada na comunidade. Moro aqui há 54 anos", contou a professora Marisa Jorge.
Mais de 30 UPPs
Inspiradas em experiência de Medelín, na Colômbia, o programa do governo do estado que deu origem às UPPs começou dezembro de 2008, com a instalação da primeira unidade, no Santa Marta, em Botafogo, Zona Sul. Desde então, 32 UPPs já foram implantadas, com mais de 8 mil policiais, e a previsão é de que, até 2014, sejam mais de 40 unidades, e equipe de 12,5 mil.
A última ocupação foi em 3 de março, nas comunidades do Caju e Barreira do Vasco, que tiveram a UPP instalada em 12 de abril, como parte de uma estratégia para entrar no Conjunto de Favelas da Maré, uma das regiões de maior atuação do tráfico.
As UPPs em operação abrangem 222 comunidades e beneficiam mais de 1 milhão de pessoas das áreas pacificadas. Até 2014, serão beneficiadas outras comunidades, abrangendo mais 860 mil moradores das Zonas Norte e Oeste do Rio, Baixada Fluminense e outras cidades com grande concentração urbana. Além disso, a Polícia Militar criou um banco de talentos para identificar policiais com formação em outras áreas de conhecimento, que possam agregar mais qualidade ao serviço prestado às comunidades
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