26 de abril de 2013




Polícia divulga retratos falados de dois 



suspeitos da morte de dentista


Cinthya Magaly Moutinho de Souza foi queimada em consultório no ABC.
Mais cedo, haviam sido divulgadas fotos de outro suspeito da morte.



Imagens de suspeitos de matar dentista em São Bernardo do Campo (Foto: Divulgação)

A Polícia Civil divulgou na tarde desta sexta-feira (26) os retratos falados de dois suspeitos da morte da dentista Cinthya Magaly Moutinho de Souza, de 47 anos, em São Bernardo do Campo, no ABC, nesta quinta-feira (25). Mais cedo, fotos de outro suspeito tinham sido liberadas: Jonathan Cassiano Araújo, de 21 anos. Ninguém havia sido preso até esta tarde.
Jonathan é o homem que aparece nas imagens do circuito de segurança de uma loja de conveniência onde o cartão da vítima foi usado para fazer um saque de R$ 30, segundo a polícia. Os criminosos atearam fogo na dentista, que morreu em seu consultório.
Quem tiver qualquer informação sobre os suspeitos pode entrar em contato pelos telefones 4368-0166 e 4367-1653 (2º Distrito Policial de São Bernardo do Campo); 4125-1377 (Delegacia  Seccional de São Bernardo do Campo); 4345-2585 (Dise de São Bernardo do Campo) e 181 (Disque-Denúncia).

Os investigadores apreenderam o carro usado no crime, um Audi, e disseram que o veículo é o mesmo identificado em outro assalto. A arma também seria a mesma. "Existem situações, existem vestígios que conectam um caso ao outro", afirmou.
O delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Maurício Blazeck, falou nesta tarde sobre as investigações. "A motivação nós não temos e só teremos quando forem presos e nós os ouvirmos sobre os reais motivos para essa barbárie. A grave ameaça e a violência perpetrada na ação são costumeiras, por isso eu digo que são elementos perigosos. Existem casos que aconteceram que se assemelham", afirmou.
O delegado seccional de São Bernardo do Campo, Waldomiro Bueno Filho, contou que a polícia está relacionando os casos. "Não podemos fazer ampla divulgação, mas o trabalho de polícia judiciária está avançado e, em pelo menos três casos, nos deparamos com essa quadrilha."
Ele descreveu elementos comuns entre os casos. “A tortura psicológica ocorreu nos três casos, ameaçar. Atear fogos diretamente, não, mas eles chegaram a pedir seringa e um isqueiro em um dos casos”, disse o seccional. Segundo ele, um dos casos ocorreu em outubro de 2012 e o outro no 3º Distrito Policial de São Bernardo.
O delegado-geral relatou o terceiro caso. “Há outro caso na área do 83º DP, no Parque Bristol, provavelmente realizada em 18 de abril passado, onde aparece esse carro, aparece também características muito semelhantes a esses elementos e a descrição de uma arma que teria sido usada por esses elementos nos dois roubos. Naquela ocasião, levaram o carro da dentista e este carro foi encontrado depois na garagem onde reside esse Jonathan."
Sobre a arma do crime, Waldomiro disse que o grupo usou uma "pistola prateada, pistola niquelada". "Trabalhamos com a hipótese de quatro indivíduos, uma quadrilha completa. O Jonathan foi reconhecido por pelo menos seis testemunhas", afirmou.
Waldomiro relatou que o suspeito identificado não tinha passagem na polícia. "Ele (Jonathan) trabalhava até pouco tempo em uma empresa de informática e está desempregado há um mês. Ele, mesmo empregado, é ladrão, ele roubava. Mas ele não tinha passagem”, disse. O delegado relatou como a polícia foi impactada com a morte. "Comoveu não só a comunidade local, como a todos os policiais”, afirmou.
Mãe do suspeito
A mãe de Jonathan esteve na delegacia durante esta madrugada e reconheceu o filho nas imagens que estão com a polícia. A polícia chegou até a mãe de Jonathan depois que uma pessoa que trabalhou em um prédio onde eles moravam identificou Jonathan nas imagens divulgadas pela Polícia Civil e procurou os investigadores. A mãe do suspeito contou que Jonathan tinha pego o carro dela emprestado e só o devolveu na tarde desta quinta. Em seguida, ela não viu mais o filho.
Cinthya morreu queimada após assalto a seu consultório, que funcionava na Rua Copacabana. Segundo a Polícia Militar, um trio invadiu o estabelecimento por volta das 12h30 de quinta-feira. Como eles não encontraram dinheiro, a dentista entregou o cartão bancário e a senha. Os ladrões, então, sacaram R$ 30 num caixa eletrônico, enquanto um outro continuava no consultório com a dentista e uma paciente como reféns.
Depois, os criminosos voltaram, atearam fogo na dentista e fugiram em um carro. Um quarto assaltante aguardava os outros em um Audi estacionado perto do consultório.
Buscas
Em evento no Palácio dos Bandeirantes, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, afirmou, nesta manhã, que os suspeitos devem ser presos nas próximas horas. Cerca de 30 policiais faziam buscas na região na tentativa de encontrar os suspeitos.
A polícia ouviu várias dentistas na tentativa de identificar se os suspeitos de matar Cinthya fazem parte de uma quadrilha que, há cerca de dois anos, roubava consultórios odontológicos na capital paulista e agia com a mesma crueldade. Uma das profissionais reconheceu Jonathan. Ela afirma que ele roubou seu carro há cerca de dez dias, no Sacomã, Zona Sul de São Paulo. O veículo foi encontrada na garagem do suspeito. Nesta madrugada, a polícia também ouviu um adolescente como testemunha.
Pais da dentista chegam ao velório (Foto: Glauco Araújo/G1)

Velório

O corpo da dentista foi enterrado no início desta tarde no Cemitério da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo.

"Tiraram meus braços, minhas pernas, tiraram tudo", disse Risoleide Moutinho de Souza.  “Oro todos os dias. Entrego para Deus, só isso. Quem planta colhe. Um dia eles vão colher, infelizmente, o que plantaram”, afirmou.
O pai afirmou que tem recebido muito apoio dos amigos, familiares e vizinhos. “Recebemos muita solidariedade, vamos esperar que a Justiça se faça”, disse Viriato Gomes de Souza. Sobre a filha mais nova deles, que é especial, ele disse que não sabe ainda se ela tem consciência da morte de Cinthya. “Não sei se ela sabe. Não sei o sentimento dela, ela não fala, a gente não sabe o sentimento dela. Eram duas irmãs como se fossem gêmeas, muito ligadas.”
Velório em São Bernardo do Campo (Foto: Glauco Araújo/G1)
Bastante emocionada, a médica Monica Guimarães Moutinho, prima de Cinthya, reclamou da criminalidade e impunidade.
"Minha prima era trabalhadora. A gente não é rico. A gente só trabalha para ter uma vida digna, para pagar as contas. Nunca achamos que vai acontecer com alguém da nossa família, mas agora esse é só mais um caso. Amanhã vai acontecer a mesma coisa", disse, do lado de fora do velório da dentista.