18 de abril de 2013


Passageiros relatam rotina de medo nos ônibus do Rio

Ônibus da linha 569 percorre bairros da Zona Sul do Rio. (Foto: Mariucha Machado / G1)

Os acidentes recentes envolvendo ônibus no Rio têm deixado os passageiros apreensivos. Nesta quarta-feira (17), o G1percorreu duas linhas de coletivos e constatou que o medo é assunto recorrente. A grande queixa é a alta velocidade com que as viagens são feitas pelas ruas do Rio.
Por meio de sua assessoria de imprensa, a Prefeitura do Rio informa que a prática é irregular, e solicita que os cidadãos denunciem pela Central de Atendimento (telefone 1746), informando número da linha, número de ordem do veículo, placa, local e horário do ocorrido.
A equipe de reportagem embarcou em duas linhas: a primeira sai do Largo do Machado, passa pelo Cosme Velho, Jardim Botânico, Gávea, Leblon, Ipanema, Copacabana, Praia de Botafogo e Flamengo, todas as áreas na Zona Sul da cidade. A segunda trafega pela Avenida Dom Hélder Câmara, Méier, São Cristóvão, Praça da Bandeira, Laranjeiras, Botafogo e Praça General Osório, o que abrange a Zona Norte e a Zona Sul.

O consultor de negócios Leandro Viana disse que algumas linhas dão muito medo de andar. “A gente não tem escolha, tem que andar de ônibus. Meus pais são do interior de Minas, e lá quando o passageiro faz sinal para o ônibus parar, eles podem esperar sentados. Não é como aqui. Meu pai quando vem me visitar não anda de ônibus no Rio, é perigoso.”
A primeira viagem começou às 11h, na linha 569, que tem ponto final no Largo do Machado. Com apenas cinco passageiros, o motorista começou o trajeto. Em pouco tempo, um senhor comentou sobre o acidente que tinha ocorrido mais cedo em Ipanema, na Rua Visconde de Pirajá, onde quatro pessoas ficaram feridas.
Mônica Santos se sente insegura ao usar a linha de ônibus 569. (Foto: Mariucha Machado / G1)Mônica Santos se sente insegura ao usar a linha de
ônibus 569 (Foto: Mariucha Machado / G1)
Usuário dos ônibus da linha diariamente, o estudante Pedro Monteiro acha que alguns motoristas extrapolam a velocidade. “Eles correm muito. Outro problema que eu acho é a insegurança. Eu moro no Rio há dois anos e nunca fui assaltado, mas sei que sou exceção.”
Com o filho Vitor Hugo, de 12 anos, a vendedora Mônica Santos também concorda que os motoristas andam em alta velocidade e diz que sente insegura. “Minha irmã já presenciou dois assaltos nesta linha, ela está muito perigosa”, contou.
Pouco tempo depois do início do percurso, já no Cosme Velho, todos os bancos do coletivo estavam lotados. A secretaria Patrícia Fernandes, que faz o trajeto duas vezes por semana, afirmou: “Aqui a gente tem medo da velocidade, dos assaltos, porque eu já presenciei. Dentro do túnel [Rebouças], então, eles correm demais”.
É mais seguro andar no horário de rush, porque quando as pistas estão livres os motoristas correm demais"
Susie Prieto, recepcionista
Dentro do túnel os ônibus devem trafegar pela pista do meio. O ônibus em que o G1 embarcou usou a pista da direita na maior parte da via. Segundo a passageira Patrícia Fernandes, o ônibus só não correu mais porque havia pontos de retenção.
O problema apontado pela professora Carolina Tavares, que trabalha na Gávea, é a falta de respeito dos motoristas com os usuários. “Alguns não respeitam os passageiros e arrancam com o carro de qualquer maneira. Infelizmente é a maioria”. A professora atribui ao problema da pressa as condições de trabalho dos profissionais. “Nada justifica a atitude deles desta maneira, mas deve contribuir para um dia a dia mais estressante”.
Já no Leblon, na Avenida Henrique Dumont, o motorista parou em fila dupla e abriu a porta para que duas passageiras descessem.  Na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, o motorista aproveitou que as pistas destinadas apenas aos ônibus estavam vazias e acelerou um pouco mais. Neste trecho, o profissional avançou dois sinais que estavam amarelos, um deles é em frente a uma escola municipal. Na Praia de Botafogo, uma usuária pediu para que o motorista abrisse a porta do veículo no sinal e ele atendeu a solicitação.
G1 constatou que muitos passageiros não respeitam os lugares reservados para idosos, gestantes e portadores de deficiência. A viagem terminou às 12h35.
Tamires Fortunato acha que os motoristas colocam a vida das pessoas em risco. (Foto: Mariucha Machado / G1)Tamires Fortunato acha que os motoristas colocam
vidas em risco (Foto:Mariucha Machado/G1)
A segunda viagem, realizada na linha 457 começou em Laranjeiras, na Rua Pinheiro Machado, às 12h55. Rumo à Zona Norte do Rio, o G1 encontrou também passageiros amedrontados com a velocidade com que os veículos trafegam pela cidade. “É mais seguro andar no horário de rush, porque quando as pistas estão livres os motoristas correm demais. Demora mais, mas é melhor”, contou a recepcionista Susie Prieto, que usa o transporte público para voltar o trabalho diariamente.
O aposentado Rogério de Almeida ressaltou que a parte mais perigosa do trajeto é dentro do Túnel Santa Bárbara. “Eu sempre ando nesta linha e eles correm principalmente dentro do túnel. O espaço naquele trecho é pequeno e corre o risco de um acidente. Eles cortam até caminhão”. Ele acredita também que as multas apenas não resolvem e não acabariam com o problema, os motoristas precisam de educação e precisam ser preparados adequadamente.
G1 fez imagens do ônibus cortando um caminhão no Túnel Santa Bárbara. Confira no vídeo ao lado.
“Os motoristas correm demais e colocam a nossa vida em risco. Dentro do Túnel Santa Bárbara, até chegar na Avenida Presidente Vargas, eles andam muito rápido. Eu já vi muita gente reclamar com o motorista por causa disso. Eles têm que cumprir horário, mas têm que ter responsabilidade. É a vida de muita gente que está em risco”, contou a auxiliar administrativa Tamires Fortunato, que estava com o filho no colo. Pouco tempo depois de conversar com o G1, Tamires aproveitou o sinal e desceu fora do ponto de ônibus.
A Avenida 24 de Maio, no Méier, faz divisa com a linha de trem. Em alguns trechos, o espaço onde os passageiros esperam o ônibus é muito pequeno. Segundo o aposentado José Ribeiro a situação é um perigo. “Eles andam rápido e se o motorista perder o controle pode acontecer uma fatalidade”, alertou o aposentado.
Em nota, a Secretaria Municipal de Transporte informou que a alta velocidade é uma prática irregular e a Prefeitura do Rio solicita que os cidadãos denunciem por meio da Central de Atendimento, através do telefone 1746, e informem o número da linha, número de ordem do veículo, placa, local e horário do ocorrido.