5 de abril de 2013

MUNDO


Hackers invadem redes sociais do governo e ridicularizam líder norte-coreano

Hackers invadiram a conta da Coreia do Norte no Flickr, nesta quinta-feira (4), publicando uma foto em que o líder Kim Jong-Un é retratado como um porco (e com um Mickey estampado na barriga, em referência a uma viagem secreta que ele teria feito à Disney na infância). A conta foi cancelada, e o conteúdo saiu do ar.

A legenda da foto publicada indevidamente dizia (em inglês): "Ameaçando a paz mundial com armas nucleares e gastando dinheiro enquanto mata as pessoas de fome." Outra imagem reivindicava a autoria dos ataques com a frase "Somos o Anonymous" (em inglês) – o grupo hacker ficou conhecido por diversos ataques realizados em 2011. 
A conta oficial do país no Twitter também foi invadida na quinta – na sexta-feira (5), ainda era possível visualizar as mensagens não autorizadas e a foto de perfil alterada. Os textos "Tango Down" indicavam os ataques (a expressão indica a derrubada de sites), e a imagem mostrava dois dançarinos de tango usando máscaras que identificam integrante do grupo Anonymous.
A Coreia do Norte criou essa conta em 2010, para divulgar e enaltecer seu sistema de governo, além de criticar os Estados Unidos. O perfil tem pouco mais de 17 mil seguidores. 
Legenda da imagem do líder Kim Jong-Un publicada indevidamente no Flickr dizia (em inglês): 'Ameaçando a paz mundial com armas nucleares e gastando dinheiro enquanto mata as pessoas de fome'
Escalada de tensão
Os ataques virtuais foram realizados no mesmo dia em que o Exército da Coreia do Norte disse ter recebido a autorização final para lançar um ataque com eventual uso de armas nucleares contra os Estados Unidos. Em nota, o Exercito afirmou que "o momento de uma explosão [da situação] se aproxima rapidamente" e uma guerra na península coreana pode eclodir "hoje ou amanhã".
Em dezembro passado, houve uma escalada da tensão com o lançamento de um foguete norte-coreano --considerado pelo Ocidente como um teste de míssil de longo alcance--, seguido em fevereiro do terceiro teste nuclear norte-coreano.
Pouco depois, a ONU impôs novas sanções contra o regime do país, no momento em que Estados Unidos e Coreia do Sul realizavam manobras militares conjuntas durante as quais Washington mobilizou aviões B-52, com capacidade de transporte de armas nucleares.

Em resposta, a Coreia do Norte ameaçou efetuar ataques com mísseis e bombardeios nucleares contra a Coreia do Sul e contra interesses americanos no Pacífico.

No sábado (30), Pyongayng se declarou em "estado de guerra" com o Sul e na terça (2) anunciou sua intenção de reativar um reator nuclear que teve suas operações suspensas em 2007, desafiando as resoluções da ONU que proíbem qualquer programa atômico.

Os Estados Unidos prometeram nesse mesmo dia que defenderão seus aliados sul-coreanos, e o secretário de Estado, John Kerry, classificou como "perigoso" e "irresponsável" o comportamento do líder norte-coreano, Kim Jong-un.