29 de abril de 2013



Grávida de 8 meses morre em MT por 



falta de atendimento, diz família


Família de Patrícia Alves reclamou de atendimento no PS de Várzea Grande.
Em outro hospital, jovem foi operada para retirar bebê, mas não resistiu.


Patrícia sentiu dores e morreu em cirurgia de emergência para retirar bebê morto (Foto: Arquivo Pessoal)


Uma mulher grávida de oito meses morreu após ter procurado atendimento médico no Pronto-Socorro de Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá. Familiares de Patrícia Alves da Costa denunciaram que houve negligência da unidade hospitalar durante o atendimento prestado a jovem, que tinha apenas 20 anos. Os corpos de Patrícia e do bebê que ela esperava foram enterrados neste domingo (28).
A jovem estava grávida de uma menina. De acordo com familiares, neste último sábado (27), Patrícia acordou com muitas dores. Ela disse à família que pela intensidade da dor, poderia estar em ‘trabalho de parto’. Foi neste momento que ela buscou atendimento no Pronto-Socorro de Várzea Grande.
 “Eu achava que no Pronto-Socorro deveria ter sido feito um [exame de] ultrassom para ver porque ela estava perdendo muito líquido. Mas a mandaram ir embora porque no próximo mês ela iria ter a criança”, informou a tia da jovem, Elenir Rosa de Almeida.
Depois de ter sido orientada a retornar para casa, Patrícia continuou sentindo dores. Ela buscou atendimento em outra unidade hospitalar, desta vez, em Cuiabá. No hospital Santa Helena, a jovem recebeu a notícia de que o bebê estava morto e que ela precisaria passar por uma cirurgia de emergência para retirar a criança. Após saber do estado em que se encontrava o bebê, o quadro clínico da jovem se agravou. Ela perdeu muito sangue por conta de uma hemorragia, não resistiu e morreu na mesa de cirurgia.
Outro lado
O coordenador do Pronto-Socorro de Várzea Grande, Renato Tetilla, informou que vai abrir uma sindicância para apurar a forma como Patrícia foi atendida na unidade pública. Ele informou que se for constatada omissão do médico que atendeu a jovem, o profissional será denunciado no Conselho Regional de Medicina (CRM).

Patrícia deixou um filho de três anos que deverá ficar sob os cuidados da avó materna. “Era minha primeira filha. Tinha um futuro com ela. Agora vou ver o que eu vou fazer”, disse o namorado de Patrícia, Welington Paixão.
Já o diretor do hospital Santa Helena, Marcelo Sandrin, informou que Patrícia sofreu um descolamento prematuro de placenta, conhecido na literatura médica pela sigla DPP, seguido de hemorragia. O diretor disse ainda que durante o procedimento para a retirada da criança, Patrícia teve uma parada cardíaca e, por isso, não resistiu ao procedimento.
“A minha filha estava tão sadia. Estava tão alegre por causa da filha dela que viria. Eu quero Justiça”, declarou a mãe da jovem, Evanil Alves da Rosa.