24 de março de 2013


Videolaparoscopia reduz disfunção erétil em pacientes com câncer de próstata

Procedimento feito a partir de pinças e uma microcâmera é mais indicado para retirada da próstata em pacientes com câncer

Entre os benefícios da cirurgia videolaparoscópica (procedimento minimamente invasivo feito a partir de pinças e uma microcâmera) para a retirada da próstata em pacientes com câncer nessa região, está a redução das chances de o portador sofrer, futuramente, com problemas de disfunção erétil, um dos maiores temores dos homens que passam pelo tratamento contra a doença.
A constatação foi feita pela acadêmica de medicina Larissa Pires de Oliveira, que comparou o método convencional, de cirurgia por via aberta, com a videolaparoscopia. O trabalho está inserido no Programa de Apoio à Iniciação Científica (Paic-2013), desenvolvido pela Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon). O Paic é desenvolvido pelo Departamento de Ensino e Pesquisa da FCecon e financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam).
Na comparação entre a cirurgia retropública - cuja abertura para a retirada da próstata é maior - e a laparoscópica - onde o procedimento é feito por três incisões de um centímetro cada e utilizando microcâmera -, conforme o resultado preliminar, esta última opção resulta, ainda, na redução do sangramento durante o procedimento, além de menor tempo de hospitalização e redução das chances de contrair infecções.
Já em outro trabalho sobre o mesmo tema, a acadêmica Tyane de Almeida mostrou que a utilização da lupa no procedimento diminui, por exemplo, as chances de lesões no nervo durante a cirurgia.
Ela também destacou que no procedimento por via aberta, ou seja, pelo método convencional, as chances de resultar na disfunção erétil são maiores. Entre os dados considerados no estudo está o aumento no número de casos de câncer de próstata nos últimos 20 anos no país além de dados internacionais sobre a doença.
A bolsista Thaís Caroline Sales Raposo, que também desenvolve pesquisa sobre este tema dentro do Paic, apontou em seu resultado preliminar que a cirurgia com a utilização de câmeras é menos invasiva para a retirada de linfonodos (gânglios que fazem parte do sistema linfático, o qual atua na defesa do organismo) produz melhores resultados aos pacientes, já que, entre os casos analisados, 20% apenas das linfanedectomias inguinais (retiradas dos gânglios) apresentaram complicações contra 50% nos casos das cirurgias convencionais. Neste caso, o sangramento e o tempo de internação também foram menores.
Publicação
Os três acadêmicos são orientados pelo urologista Cristiano Paiva, médico da FCecon. As cirurgias videolaparoscópicas são realizadas desde 2012 na fundação e, na maioria dos casos, apresentaram resultados positivos, como rápida recuperação do paciente e diminuição da dor no pós-cirúrgico se comparado aos procedimentos convencionais.
Os estudos realizados pelos acadêmicos têm como base dados estatísticos da FCecon e procedimentos práticos realizados no Centro Cirúrgico do hospital, bem como, informações sobre a evolução do tratamento fornecidas por vários setores da instituição.
Os trabalhos desta edição do Paic serão concluídos em julho, quando passarão pela avaliação final de uma banca de doutores e, posteriormente, terão os resultados publicados.