19 de março de 2013


Usina de Fukushima, no Japão, é reativada parcialmente após apagão


Os sistemas de refrigeração das piscinas de combustível foram restaurados.
Apagão aconteceu na noite segunda-feira (18). 


A operadora da central nuclear japonesa Fukushima Daiichi restaurou parcialmente, na tarde desta terça-feira (19), os sistemas de refrigeração das piscinas de armazenamento de combustível usado, cortados desde a noite de segunda-feira (18) por um apagão.
A eletricidade foi cortada às 18h57 local (06h57 Brasília) por um motivo desconhecido, explicou um porta-voz da Tokyo Electric Power (Tepco) à agência de notícias France Press.
"A corrente elétrica utilizada para refrigerar as piscinas dos reatores 1, 3 e 4 foi cortada", admitiu o porta-voz da Tepco, Kenichi Tanabe.
Usina nuclear de Fukushima Daiichi (Foto: Reuters)
A reativação parcial da energia elétrica permitiu reiniciar o sistema de refrigeração da piscina do reator 1 às 14h20 (02h20 de Brasília), informou a Tepco.
A empresa informou que os sistemas de refrigeração das piscinas dos reatores 3 e 4 voltarão a funcionar normalmente às 20h00 (8h00 de Brasília).
O último sistema de refrigeração afetado, o da piscina de armazenamento "central", voltará a funcionar na quarta-feira às 08h00 (20h00 de terça-feira no horário de Brasília), segundo a Tepco.
"Nossos instrumentos de medição nas imediações não detectaram nenhuma mudança importante dos níveis de radioatividade", afirma a empresa em um comunicado, no qual descarta a possibilidade uma nova crise.
O incidente não afetou a injeção de água nos reatores 1 e 3 da central, cujo combustível se fundiu após o acidente de 2011.
O governo manifestou tranquilidade ao afirmar que a Tepco "utiliza todos os meios alternativos para refrigerar (as piscinas)".
"Não há razão para inquietação", afirmou o porta-voz do Executivo, Yoshihide Suga.
O diretor executivo das instalações nucleares da Tepco, Masayuki Ono, afirmou que a temperatura da piscina de armazenamento do reator 4 era de 30,5 graus Celsius às 10h00 (22h00 de segunda-feira no horário de Brasília).
Esta piscina é a que inspira mais cuidados por ser a mais cheia, com 1.330 barras de combustível utilizadas e 200 barras de combustível não utilizadas.
A Tepco dispõe de quatro dias para restabelecer a energia antes que a temperatura atinja o limite de segurança na piscina do reator 4, a que tem mais combustível usado, disse Tanabe, citando uma elevação de temperatura de 0,3 a 0,4 grau por hora, em média.
Para as outras piscinas, a Tepco dispõe de mais tempo: entre 14 e 26 dias, respectivamente.
O corte elétrico pode ter sido provocado por um problema em uma unidade de distribuição de combustível, mas esta é a apenas uma hipótese, segundo a empresa.
Para Akio Koyama, professor de Segurança Nuclear na Universidade de Kyoto, a situação não parece "grave no imediato".
O acidente nuclear de Fukushima, o pior desde o desastre na central ucraniana de Chernobil (Ucrânia), em 1986, ocorreu após o tsunami gigante de 11 de março de 2011, que provocou a suspensão do fornecimento de energia e a paralisação dos sistemas de refrigeração da usina atômica, situada 220 km a nordeste de Tóquio.Importantes quantidades de radiação se disseminaram no meio ambiente ao redor da central nuclear situada a 220 km ao nordeste de Tóquio.
A fase crítica do acidente foi considerada superada em dezembro de 2011, mas os trabalhos de proteção da área não avançam pelos altos níveis de radioatividade.