18 de março de 2013


Uma empresa de bilhões de dólares sem chefe? Sim, isso existe

SÃO PAULO – Imagina fazer parte de uma companhia sem nenhum chefe, nível superior de gestão ou RH; onde os bônus, contratações e demissões são todos determinados por consenso. Imagine uma companhia dessas se tornando a mais bem-sucedida do seu setor. Não, isso não é uma piada, é a história real da desenvolvedora de vídeo games e editora Valve.
A empresa foi fundada em 1996, pelos ex-desenvolvedores da Microsoft, Gabe Newell e Mike Harrington. Sua maior máquina de dinheiro é a sua plataforma Steam, que funciona como o iTunes no mundo dos jogos, sendo que 70% dos games são vendidos através do sistema, que tem cerca de 55 milhões de usuários e gera cerca de US$ 1 bilhão por ano.
De acordo com o canal CNBC, o economista da companhia, Yanis Varoufakis, descreveu o modelo de gestão por trás da sede em Seattle, que possui 400 empregados e uma empresa que pode valer até US$ 4 bilhões. "O aspecto mais surpreendente da Valve é que não há patrões. [...] Ela não contém nenhuma hierarquia explícita. Ela é baseada no que vários membros da empresa têm descrito para mim como os princípios do anarco-sindicalismo”, explicou.
O anarco-sindicalismo é uma teoria econômica que articula uma forma de governo em que, por meio da auto-organização, empregados trabalham juntos para atingir objetivos. Na Valve, essa teoria acontece quando, depois de um comitê contratar um novo funcionário, ele é livre para se movimentar entre as áreas e projetos da empresa. Ou seja, enquanto o Google oferece 20% de tempo livre para seu funcionário, a Valve oferece 100%.
Brilhante ou Loucura?
Segundo a publicação, a mobilidade dentro da corporação é um grande trunfo. Varoufakis afirma que contratações e demissões são tão simples quanto uma conversa entre dois funcionários de um corredor. Quando questionado se essa anarquia institucional pode levar a abusos, o economista alega que esse não é um problema para eles.
"É importante compreender que essas empresas baseadas em espontaneidade dependem em grande medida de indivíduos que realmente acreditam nas normas sociais que regem a sua existência", explica.