14 de março de 2013


Sobe para 33t a quantidade de peixes retirados da Lagoa Rodrigo de Freitas

Biólogo Mário Moscatelli garante que pesca poderia evitar tragédia ambiental.
Nível de oxigênio da água aumentou consideravelmente desde a manhã.

          Peixes mortos na Lagoa Rodrigo de Freitas (Foto: Gabriel de Paiva/ Agência O Globo)

té o final da tarde desta quarta-feira (13), 33 toneladas de peixes mortos tinham sido retirados da Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul do Rio de Janeiro, segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Savelha, manjubinha e acará foram as principais vítimas, por serem as espécies mais sensíveis a mudanças de condições do ambiente aquático.
Nesta manhã, o biólogo Mário Moscatelli disse que a pesca poderia ter evitado a tragédia ambiental. "Um cenário do século XVII, em pleno século XXI, a três anos dos Jogos Olímpicos, é matéria orgânica, se é do esgoto ou se for provenientes de chuva torrencial, tem que ser avaliado. Ou se é a troca da falta de água, entre o mar, entre a bacia hidrográfica e a Lagoa, fato que tenho certeza que a culpa vai ser atribuída à natureza. Precisamos é de gestão. Poderia ter chamado os pescadores e pescar antes dos peixes morrerem, poderia ter sido consumido e se evitaria que tudo fosse para o lixão”, explicou o especialista.
De acordo os pescadores do local, as comportas do Rio dos Macacos, na Rua General Garzon, na Lagoa e no Jardim de Alah para a praia de Ipanema, estavam fechadas nas últimas semanas e, por isso, não houve renovação da água.
“A água não se renova, uma água nova que vem do rio, da cachoeira e se guarda água de chuva? Nunca vi isso”, exclamou o pescador Antônio Claudio, que ressaltou que peixes como Linguado, Robalo, Carapeba, Acará e Manjubinha, comuns no consumo, foram encontrados mortos na Lagoa.
Sem oxigênio
Conforme mostrou reportagem do RJ TV, o nível de oxigênio estava em zero às 10h. Por volta de 12h30 o nível já havia subido para dois e, no final da tarde, chegou a 3. Segundo o secretário municipal do meio ambiente, Carlos Alberto Muniz, as comportas foram abertas de forma adequada.
“Elas têm que acompanhar o processo da maré. Não podemos esvaziar a Lagoa com as comportas abertas indefinidamente. Não houve um erro, porque o que vai ajudar a fazer com que os peixes não morram é o fato de a gente conseguir água nova e não tirar água de dentro da lagoa. É um equivoco de quem pensa que é a melhor gestão. Então, abrimos no momento em que água do mar pudesse entrar para a lagoa. Só que fizemos ontem, hoje 3h30 da manhã porque a gente precisa de água boa para compensar esse desequilibro”, concluiu Muniz que garantiu que no ano que vem haverá melhora e pesca antecipada.
Retiradas
Segundo a Comlurb, a retirada terá prosseguimento até que seja sanado o problema. Agentes da Comlurb trabalharam desde a manhã desta terça para retirar os peixes mortos do local. A causa da mortandade seriam as fortes chuvas do começo da semana, que teria levado uma quantidade grande de matéria orgânica para a Lagoa.
Agentes da Comlurb retiram peixes mortos na Lagoa na manhã desta quarta-feira (13) (Foto: Isabela Marinho / G1)