10 de março de 2013


Polícia pedirá ao Facebook que tire do ar página de apologia do tráfico


RIO — A rede social Facebook tem sido usada para mobilizações populares e protestos contra a corrupção. No entanto, também é palco de manifestações criminosas, como apologia do tráfico de drogas e incitação à violência contra policiais. Criada no dia 26 de fevereiro, a página “Traficodosmorros”, que diz mostrar “a realidade do Rio de Janeiro”, publica diversas fotos de homens armados em comunidades da cidade. Por volta das 17h30m de sábado, 222 pessoas já tinham “curtido” a página.
Nas fotos publicadas, supostos traficantes posam com fuzis, metralhadoras e pistolas, além de ostentarem cordões de ouro. Eles mostram os rostos e não demonstram nenhuma preocupação em proteger suas identidades. As cenas mais chocantes são de policiais feridos durante operações. As imagens normalmente são acompanhadas de legendas que incentivam o assassinato dos agentes.
Procurado pelo GLOBO, o delegado Gilson Perdigão, titular da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), informou, por nota, que vai oficiar ao Facebook para que retire a página do ar. Também vai pedir o IP utilizado pelos responsáveis pela sua criação e pela postagem dos conteúdos, assim como “de todos aqueles perfis que têm trocado mensagens que fazem apologia às drogas. A DRCI esclarece que todas as pessoas que estiverem usando a internet para este fim podem responder pelos crimes de apologia e associação para o tráfico”. A assessoria do Facebook não enviou uma resposta até o início da noite.
Maioria dos usuários repudia
Em uma foto publicada, um carro blindado conhecido como caveirão, utilizado pelo Bope, da Polícia Militar, aparece virado numa rua, junto com o texto “eu adoro eu me amarro com uma rajada deixei o caveirão de cabeça para baixo (sic)”. Em outra postagem, os responsáveis dizem que, depois da Copa do Mundo, em 2014, estarão de volta ao “Alemão, Cruzeiro, Manguinhos, Jacaré, Mandela”, entre outras favelas. As comunidades citadas já foram ocupadas pela polícia e receberam Unidades de Polícia Pacificadora.
Não é possível determinar quando as fotos foram feitas, e há diversas reproduções de vídeos de reportagens exibidas pela televisão. Nos comentários, a maioria dos usuários condena as imagens e os textos publicados, mas há quem manifeste apoio. Sobre a possibilidade de a página ser retirada do ar, os administradores postaram, no sábado, por volta das 13h, em tom de ironia: “se a página for excluída nois cria (sic) outra”.