22 de março de 2013

Papa pede diálogo com Islã e diz que mundo deve fazer mais pelos pobres

CIDADE DO VATICANO, 22 Mar (Reuters) - O papa Francisco instou o Ocidente na sexta-feira a intensificar o diálogo com o Islã e pediu mais esforços ao mundo para combater a pobreza.
O novo pontífice fez o apelo em em um discurso a diplomatas acreditados no Vaticano, enviando uma mensagem por meio deles aos líderes dos mais de 170 países com os quais o Vaticano mantém relações diplomáticas.
Falando em italiano, o papa também fez outro apelo apaixonado em favor da defesa dos pobres e do meio ambiente e disse que os países mais ricos devem lutar contra o que ele chamou de "pobreza espiritual de nossos tempos" e afirmou que precisam reforçar laços com Deus.
"Quantas pessoas pobres que ainda existem no mundo! E o grande sofrimento que eles têm de suportar!", disse aos diplomatas em audiência na Sala Regia, no Vaticano.
Francisco pediu aos diplomatas que ajudem a manter a religião em uma posição central na vida pública e a promover o diálogo inter-religioso como um catalisador dos esforços para construir a paz.
"Neste trabalho (de construção da paz), o papel da religião é fundamental. Não é possível construir pontes entre as pessoas esquecendo de Deus", disse.
"Mas o inverso também é verdadeiro: não é possível estabelecer laços verdadeiros com Deus ignorando os outros. Por isso, é importante intensificar o diálogo entre as várias religiões, e eu estou pensando particularmente do diálogo com o Islã."
Francisco, o ex-cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio, disse que está agradecido, pois muitos líderes religiosos muçulmanos e civis participaram da sua missa inaugural na terça-feira.
"Combater a pobreza, tanto material como espiritualmente, construir a paz e pontes: estes, por assim dizer, são os pontos de referência para uma jornada que quero convidar cada um dos países aqui representados a assumir", disse.
O pontífice destacou a importância de proteger o meio ambiente ao explicar por que decidiu assumir o nome de São Francisco de Assis, que está associado à austeridade, à ajuda aos pobres e ao amor pela natureza.
"Aqui também, isso me ajuda a pensar no nome de (São) Francisco, que nos ensina o respeito profundo por toda criação e proteção de nosso meio ambiente, que muitas vezes, em vez de usar para o bem, nós exploramos avidamente, um em detrimento do outro", disse.