11 de março de 2013


'Nunca fui negligente', diz médica suspeita de apressar mortes em UTI


Médica chefiava a UTI geral do Hospital Evangélico, em Curitiba.
Ela está presa desde o dia 19 de fevereiro e nega as acusações.



Nunca fui negligente, nunca fui imprudente, nunca tive uma infração ética registrada, uma queixa e exerci a medicina de forma consciente e correta", relata Virgínia na entrevista (Veja vídeo acima).
A médica afirma ainda que erros podem ter acontecido, mas jamais de maneira intencional. "Eu não sou Deus, não sou perfeita. Nada mais fiz do que exercer com a maior dignidade possível e com respeito aos pacientes a medicina intensiva", afirmou.
A médica era funcionária do hospital desde 1988 e chefiava a UTI geral desde 2006.
Ela foi indiciada pela polícia por homicídio qualificado, quando a vítima não tem a chance de se defender, e formação de quadrilha. Outras cinco pessoas suspeitas de envolvimento também foram indiciadas 
O grupo nega as acusações. Mais de 1,7 mil prontuários de pacientes que morreram na UTI foram recolhidos pela polícia.
"Eu não sou dona do mundo, eu não sou dona de nada. Eu fui colocada não só como demônio formador de quadrilha, mas também como uma pessoa de soberba", disse Virgínia. "Eu sou uma pessoa rigorosa e chego, às vezes, até ser grosseira e confesso que não é bonito isso, mas pela responsabilidade que se tem e pela necessidade que se tem de que as coisas funcionem", acrescenta.
Ainda durante a entrevista, e ex-chefe da UTI relata que as testemunhas que depuseram contra ela "não sabem do que estão falando porque não são médicas". Ela também afirma que algumas das testemunhas foram demitidas e que quiseram se vingar.
Virgínia cita, como exemplo, o depoimento de uma auxiliar de nutrição. "Ela [a auxiliar] diz que eu entrei na UTI e desliguei quatro respiradores ao mesmo tempo. E eu confesso que eu não tenho controle remoto em nenhum respirador meu para ter essa capacidade. Então, nós ficamos submetidos a julgamento de pessoas sem capacidade de compreensão", aponta.
Além do Ministério Público, o Conselho Regional de Medicina (CRM) também investiga o caso.