16 de março de 2013


Novos ministros de Agricultura, Trabalho e Aviação tomam posse

Em cerimônia rápida e sem discursos, eles somente assinaram termo.
DIlma agradeceu o trabalho daqueles que deixaram suas pastas.


Três novos ministros do governo da presidente Dilma Rousseff tomaram posse neste sábado (16). O deputado Antonio Andrade (PMDB-MG) assumiu o Ministério da Agricultura no lugar de Mendes Ribeiro (PMDB-RS). O secretário-geral do PDT, Manoel Dias, substitui o também pedetista Brizola Neto (RJ) no Ministério do Trabalho. Na Secretaria de Aviação Civil, o atual ministro de Assuntos Estratégicos, Moreira Franco (PMDB-RJ), assumiu em substituição a Wagner Bittencourt.
Em cerimônia rápida e sem discursos dos novos e dos antigos ministros, eles somente assinaram o termo de posse. A única a discursar foi a presidente Dilma Rousseff, que agradeceu o trabalho dos antigos ministros e desejou sorte aos novos titulares das pastas.
O evento se deu sem as formalidades comuns de cerimônias de posse porque Dilma viaja para o Vaticano nesta tarde, onde participará da missa inaugural do pontificado do Papa Francisco.
Dilma afirmou, em discurso, que mudanças são necessárias para manter a governabilidade. "Muitas vezes as pessoas acreditam que a coalizão do ponto de vista da política é algo incorreto. Estamos assistindo em alguns lugares do mundo processos de deteriorização da governabilidade justamente pela incapacidade de se fazer coalizão", disse, em referência aos Estados Unidos e Itália. "A capacidade de formar coalizões é estrutural para o país", disse a presidente.
Segundo Dilma, no comando do país, é preciso fazer opções. "Governar é necessariamente é escolher entre várias alternativas e por isso eu aprendi muito sobre o valor da lealdade entre aqueles que desenvolvem com a gente a tarefa de governar, o valor simultâneo da paciência e da urgência para cumpri prazos e metas e da sensatez nas escolhas do caminhos."
Ao fim, ela disse que o país não pode ser dirigido sem coalizão. "Não acredito que seja possível esse país ser dirigido sem essa visão de compartilhamento e de coalizão.
Eu aprendi que numa coalizão você tem que valorizar as pessoas que contigo estão. Parceiros da luta", disse Dilma, que teve fala interrompida por aplausos.
Agradecimentos
Dilma se emocionou ao agradecer o ministro Mendes Ribeiro que, no exercício do mandato de ministro, enfrentou dificuldades com o câncer, assim como Dilma antes de assumir a Presidência.
"Sua colaboração comigo no governo só fez crescer o respeito que tenho com ele [Mendes Ribeiro], fruto da capacidade de trabalho do Mendezinho. O Mendezinho é uma pessoa de grande lealdade política e pessoal.Obrigada pelo seu trabalho. E Mendes, resista às dificuldades, porque nós no Brasil precisamos de você", afirmou. Mendes Ribeiro, então, chorou e foi aplaudido.
Em relação a Brizola Neto, afirmou que o agora ex-ministro "vai sempre contar" com ela. "Eu tenho certeza que, por hora, o Brizola deixa o governo, mas eu continuo contando com ele e posso afirmar que o Brizola neto vai sempre contar comigo. Tenho muito orgulho de ter tido o Brizolinha no governo na medida das minhas relações ao longo da minha história com o PDT e com o Brizola."
Dilma afirmou ainda que Wagner Bittencourt ajudou a estruturar a Secretaria de Aviação Civil. "Agradeço ao Wagner porque ele nos ajudou num momento muito difícil. Agora temos uma secretaria estruturada, nosso processo está caminhando. Agradeço a esse técnico do BNDES a contribuição que ele deu."
Em relação ao ministro Moreira Franco, que só mudará de pasta, ela afirmou que ele terá novos desafios. "Do Moreira Franco não é necessário falar [...]. Confio que ele vai confirmar sua competência. [...] Espero também que o Moreira não pense que era feliz e não sabia. Eu tenho certeza que ele vai desempenhar na Secretaria de Aviação civil com a mesma competência que ele teve na Secretaria de Assuntos Estratégicos.”
A assessoria do Planalto informou que o atual secretário-executivo de Assuntos Estratégicos, Roger Leal, assumirá a pasta, mas não houve posse formal neste sábado.
Sorte aos novos ministros
A presidente afirmou que os ministros que entram têm "responsabilidade e obrigação de continuar trabalhando por um país mais justo".
"Faço um convite a todos eles [novos ministros]. É um convite ao trabalho. Sempre um convite ao trabalho. Eu tenho certeza que os brasileiros e as brasileiras esperam muito de nós e por isso o convite ao trabalho."
Negociação de mudanças
No caso dos ministros do PMDB, as mudanças foram negociadas com Dilma pelo vice-presidente Michel Temer, principal liderança do partido. No do PDT, a troca é resultado de um conflito interno do partido - integrantes da cúpula da legenda eram contrários à presença  no Ministério do Trabalho. Manoel Dias é o secretário-geral do partido, cujo presidente é o ex-ministro
Dias é o terceiro ministro do Trabalho do governo Dilma, todos do PDT. O primeiro foi Lupi, que estava no cargo desde 2007, ainda no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em dezembro de 2011, pediu exoneração do cargo após denúncias de irregularidades na pasta. Em abril de 2012, Brizola Neto (PDT) assumiu o ministério, em substituição ao então secretário-executivo que estava no cargo interinamente, Paulo Roberto Pinto.