14 de março de 2013


Mãe de gêmeos sequestrados em Goiás morreu asfixiada, aponta laudo

Peritos do IML concluíram que o corpo foi queimado; amiga é suspeita.
Vítima desapareceu em fevereiro junto com os filhos de 8 meses, em Itauçu.


O Instituto Médico Legal  (IML) concluiu que a mãe dos gêmeos sequestrados, Raimunda Vieira, de 34 anos, morreu por asfixia, após ser enforcada. O laudo cadavérico divulgado na terça-feira (11) aponta ainda que o corpo dela foi queimado.
Após três dias desaparecida, ela foi encontrada morta no dia 3 de março em um canavial da cidade, que fica a 64 quilomêtros de Goiania. A Polícia Civil acredita que ela foi assassinada para ter os filhos de oito meses roubados.
Os gêmeos, que tinham sumido junto com a mãe, foram encontrados com vida, no último dia 3, na casa de uma conhecida da suspeita de cometer o crime, em Inhumas. Um dia depois, a costureira de 51 anos apontada como autora do sequestro e do homicídio foi presa em Nova Veneza. Em depoimento à polícia, ela negou ter assassinado Raimunda e sequestrado as crianças.
Assustados com o crime, a família decidiu que os bebês fossem morar com os avós paternos, em uma cidade do Entorno do Distrito Federal. Por motivos de segurança, os parentes preferiram não informar qual. Eles temem que o sequestro com morte tenha sido planejado por uma quadrilha.  "Ela [a suspeita do crime], não agiu sozinha", disse ao G1 uma prima da vítima, que não quer ter o nome divulgado.
Desaparecimento
De acordo com a família, Raimunda saiu com a amiga e os cinco filhos em 28 de fevereiro. A costureira levaria a vítima até Inhumas, onde estaria ajudando a vítima a ganhar uma casa popular. No fim da tarde, ela voltou apenas com as três crianças maiores.
O filho mais velho de Raimunda, de sete anos, contou ao pai que ele, os irmãos e a mãe foram levados a uma roça pela conhecida. Marido de Raimunda, Paulo Monteiro disse que o menino estava muito abalado. O garoto relatou à família que a suspeita teria jogado um líquido no rosto da vítima. A polícia acredita que tenha sido álcool.
Paulo Monteiro lembra que a costureira ficou amiga da família havia pouco tempo. "Ela chegou em casa com um carro preto, tirou fotos de todos os meninos. Ela disse que ia ajudar a ver o negócio da casa. Eu até alertei ela [ Raimunda],  falei para não deixar que qualquer pessoa entrasse em casa. Depois disso, essa mulher passou a ir mais lá, a levar banana e frango", afirmou o viúvo.
Autorização para viajar
A Polícia Civil diz não ter dúvidas da autoria do crime. Entre as provas apresentadas pelos investigadores estão duas certidões de nascimento forjadas pela suspeita. A costureira teria procurado a Promotoria de Justiça de Itauçu para conseguir autorização para viajar com as crianças.
Segundo o delegado de Inhumas, Humberto Teófilo, que investiga o caso, a costureira tinha se apresentado à promotora de Justiça da cidade com certidões falsas, onde o nome da suspeita aparece como mãe dos bebês.
A mulher, de acordo com o delegado, alegou à promotora que um dos gêmeos estava com leucemia e precisava se tratar com médicos de São Paulo, mas o marido não autorizava a saída deles de Itauçu. Humberto Teófilo informou ainda que pesquisou o nome dos profissionais de saúde citados por ela no pedido, entretanto, eles não existem. “Esta atitude é mais um indício de que ela queria roubar as crianças”, ressalta o policial.