20 de março de 2013


Detento de sistema carcerário no Pará consegue vaga em faculdade

Boas notas no Enem garantiram aprovação no curso de ciências biológicas.
Preso espera obter autorização judicial para frequentar as aulas.


Quando foi preso, em 2008, Bruno Wátila havia curso até a 5ª série do ensino fundamental. (Foto: ascom/Susipe)

Como muitos estudantes de todo o Brasil, Bruno Wátila de Assis Nascimento, de 29 anos, desejava conseguir uma vaga em uma instituição de ensino superior. Além de enfrentar a concorrência e a preparação dos outros candidatos, Bruno contava com mais um obstáculo. Ele cumpre pena no Centro de Recuperação do Coqueiro (CRC), na região metropolitana de Belem (RMB), junto com mais de 300 detentos, desde 2008.
Após obter a certificação para concluir o ensino médio, ele se submeteu às provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), e com o bom desempenho, conseguiu uma bolsa integral do Programa Universidade para Todos (Prouni), no curso de licenciatura em Ciências Biológicas, em uma faculdade particular do Pará. Bruno é um dos 1.017 presos inseridos na educação básica articulada à educação profissionalizante e não formal, no estado.
“A rotina da prisão despertou o interesse para concluir meus estudos. Mergulhei nos livros e participei de vários projetos de reinserção. A prova veio medir o acúmulo de conhecimentos e tudo deu certo”, contou o futuro universitário.
O próximo desafio de Bruno é obter autorização judicial para frequentar as aulas na faculdade, que começam no segundo semestre de 2013. “Espero o aval da Justiça para que eu possa estudar e trilhar um caminho diferente daquele que me conduziu à segregação. Vou concluir o curso e ser um bom profissional”, completa.
De acordo com informações do Sistema Penal do Pará (Susipe), a Lei de Execução Penal (LEP) assegura ao preso o direito à educação. Antes, a lei previa a redução de pena somente pelo trabalho, mas essa possibilidade foi ampliada. Agora, o preso também recebe o benefício se estudar; a cada 12 horas de estudo é reduzido um dia no cumprimento da pena. Com isso, os internos podem acumular os benefícios do estudo e do trabalho, reduzindo ainda mais o tempo de privação da liberdade.