15 de março de 2013

China nomeia Xi presidente e conclui transição de poder

PEQUIM,14 Mar (Reuters) - O Parlamento chinês formalizou nesta quinta-feira a nomeação de Xi Jinping como presidente do país, concluindo a segunda sucessão sem sobressaltos desde que o Partido Comunista tomou o poder, em 1949.
O Congresso Nacional Popular elegeu Xi em uma cerimônia rigorosamente roteirizada no Grande Salão do Povo, no centro de Pequim. Em novembro, Xi já havia sido nomeado chefe do partido e das Forças Armadas -- as verdadeiras instâncias de poder no país mais populoso do mundo.
Xi, de 59 anos, também foi eleito para chefiar a Comissão Militar Central, um cargo governamental paralelo ao comando militar partidário, que ele já detém. Esse acúmulo garante que ele tenha total poder sobre o partido, o Estado e as Forças Armadas.
Entre quase 3.000 parlamentares, só um votou contra Xi, e três se abstiveram. Após o resultado, mostrado ao vivo pela TV, o novo presidente se curvou reverencialmente e apertou as mãos do seu antecessor, Hu Jintao, com quem trocou algumas palavras inaudíveis.
Li Yuanchao foi eleito vice-presidente, como a Reuters já havia antecipado que ocorreria. Havia cinco outros candidatos ao cargo, e o influente ex-presidente Jiang Zemin fazia campanha por Liu Yunshan, ex-chefe de propaganda do regime.
Na sexta-feira, em outra votação previamente coreografada, o vice-premiê Li Keqiang deve assumir o cargo de primeiro-ministro no lugar de Wen Jiabao.
Hu, de 70 anos, deixa a Presidência depois de cumprir dois mandatos presidenciais de cinco anos.
A ascensão de Hu, dez anos atrás, marcou a primeira transição pacífica dentro do regime comunista. Fatos violentos como a Revolução Cultural e a repressão aos manifestantes pró-democracia em 1989 na praça Tiananmen ofuscaram as passagens de bastão anteriores.
ESPERANÇA EM XI
Desde que assumiu o comando partidário, em novembro, Xi priorizou a luta contra a corrupção e promoveu práticas austeras, como proibir comandantes militares de realizarem banquetes regados a bebidas alcoólicas.
Muitos chineses esperam que Xi leve a mudanças num país que se tornou a segunda maior economia mundial, mas que ainda enfrenta profundas desigualdades, corrupção e destruição ambiental.
Para o parlamentar Yan Chengzhong, a tarefa mais premente para o novo governo será proteger o ambiente. "Venho de Xangai, onde há 6.000 porcos mortos boiando no rio. Isso fala de quão frágil é o nosso ambiente ecológico."
Já Gong Funeng, da província de Sichuan, disse que "o problema mais desafiador que o governo enfrenta agora é implementar uma reforma política e combater a corrupção".
Xi herda um ambiente político em que há mais desconfiança em relação ao governo e mais facilidade de uso da internet para críticas aos líderes.
Ao mesmo tempo, seu governo precisará lidar com a desaceleração econômica, com a valorização irracional do mercado imobiliário, com o endividamento dos governos locais e com a tendência da economia chinesa de depender de grandes investimentos para crescer.
Na frente externa, os maiores desafios são o comportamento provocativo da aliada Coreia do Norte e as tensões com os Estados Unidos, o Japão e o Sudeste Asiático.
O novo presidente tem usado a imprensa estatal para forjar uma imagem popular e discreta, geralmente usando uma linguagem simples -- ao contrário de seus antecessores, que costumavam entupir seus discursos com jargões partidários.
Mas o governo de Xi já sinalizou que o partido, que valoriza a estabilidade acima de tudo, continuará não aceitando contestações ao seu poder.
O proeminente dissidente Hu Jia disse à Reuters que a polícia o intimou na quarta-feira à tarde a depor sobre acusações de "provocar brigas e causar confusão".
Hu disse que isso provavelmente se refere ao fato de ele ter organizado visitas de ativistas à casa de Liu Xia, esposa do dissidente preso Liu Xiaobo. Liu Xia está sob prisão domiciliar desde que o marido dela ganhou o Prêmio Nobel da Paz.
"Ou também pode ser porque, durante a sessão parlamentar, publiquei numerosas opiniões críticas sobre o Partido Comunista", disse ele.
(Reportagem adicional de Xiaoyi Shao e Sabrina Mao)