22 de março de 2013


Após cerco da PM, alguns índios deixam antigo museu no Rio

Grande parte do grupo ainda resiste a desocupação de imóvel.
Batalhão de Choque faz cerco no local desde a madrugada.


Parte do grupo de indígenas que ocupa o antigo Museu do Índio, no Maracanã, na Zona Norte do Rio, deixou o prédio por volta das 7h30 desta sexta-feira (22). De acordo com o representante do movimento, Afonso Apurinã, dez pessoas saíram e aceitaram o acordo proposto pelo governo. No entanto, segundo o líder, 50 indígenas ainda resistem a deixar o imóvel. A PM cerca o local desde as 3h.
Mais de 50 policiais, além de vários carros e motos da corporação, cercam o prédio um dia após o governo dar o ultimato aos índios. No local será construído o Museu Olímpico.
Detidos
Pouco antes das 7h, funcionários do governo chegaram ao museu para tentar negociar a desocupação. Os índios, muitos deles encapuzados, resistem a sair do imóvel. Estudantes e simpatizantes do movimento fazem uma manifestação com cartazes, pendindo a permanência dos índios.
Durante a madrugada, três pessoas que participavam do ato foram detidas.  Para dispersar o tumulto, a PM usou spray de pimenta e gás lacrimogênio
Trânsito complicado
A Avenida Radial Oeste, uma das principais vias da Zona Norte do RIO DE JANEIRO, foi fechada, por volta das 6h30, para a desocupação do museu. Dez minutos depois, a via foi reaberta, mas o trânsito continuou muito complicado, principalmente no sentido Centro. De acordo com o Centro de Operações da Prefeitura do Rio, a melhor opção para os motoristas é a Avenida Visconde de Niterói.
O grupo de indígenas que ocupa o local, que se autodenomina Aldeia Maracanã, está no imóvel desde 2006. A 8ª Vara Federal Cível do Rio concedeu imissão de posse em favor do governo estadual e os índios foram notificados em 15 de março.
Batalhão de Choque fecha a Avenida Radial Oeste para desocupação do antigo Museu do Índio. (Foto: Isabela Marinho / G1)
A Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos ofereceu, além do Hotel Santana, três opções de moradia provisória, até que o Centro de Referência Indígena seja construído na Quinta da Boa Vista, também na Zona Norte, além do Hotel Santanna, no Centro (veja a íntegra da proposta no fim da reportagem).
Segundo o Secretário estadual de Assistência Social, Zaqueu Teixeira, os indígenas terão que se deslocar para o hotel, onde terão alimentação e um andar exclusivo. Os índios que não quiserem ficar no local, poderão aceitar ficar provisoriamente em três áreas sugeridas pelo governo: um terreno em Jacarepaguá, próximo ao Hotel Curupati; o abrigo Cristo Redentor; ou ao lado do barracão da Odebretch, na Rua Visconde de Niterói. 
Zaqueu Teixeira deu um prazo de um ano e meio para a construção do Centro de Referência Indígena. Até lá, os índios poderão escolher um dos locais sugeridos pelo governo, caso aceitem a proposta. Se recusarem, a Justiça poderá obrigar a saída.
“Oferecemos tudo para que fosse resolvido: transporte, alimentação, hospedagem para que fosse resolvida e não tem mais o que ofertar. É a última proposta do governo. Se eles não cumprirem, a Justiça vai obrigá-los a sair. Minha parte, que é ofertar, já está feita. Aí é com a Justiça o tempo para retirá-los”, disse o secretário.
Antigo Museu do Índio, no Maracanã, estava fechado com uma parricada para resistir à desocupação (Foto: AFP PHOTO/VANDERLEI ALMEIDA)
"PROPOSTA FINAL DO GOVERNO
Criação do Centro de Referência da Cultura dos Povos Indígenas, onde atualmente está instalado – e em processo de desativação – o Galpão da Quinta da Boa Vista, ou seja, a Unidade Prisional Evaristo de Moraes; ou em área na antiga colônia Curupaiti, em Jacarepaguá, ou ainda em área no abrigo Cristo Redentor, em Bonsucesso.

O Centro de Referência da Cultura dos Povos Indígenas deverá ter como finalidades, dentre outras a serem previstas em seu instrumento de criação, as seguintes:
a)       a salvaguarda do patrimônio material e imaterial das populações originárias;
b)       a realização de estudos e pesquisas sobre as culturas indígenas brasileiras;
c)       a promoção do intercâmbio cultural com a população urbana;
d)       a promoção da cultura do resgate e proteção do ambiente;
e)       a preservação da cultura indígena brasileira, através da educação;
f)        a criação de um espaço de participação e convivência democrática dos povos indígenas;
g)       a comercialização legal do artesanato e arte indígenas.
Criação e instalação do Conselho Estadual de Direitos Indígenas, que monitorará o funcionamento do Centro de Referência da Cultura dos Povos Indígenas e atuará como órgão consultivo do Estado na formulação de políticas de defesa e promoção dos direitos indígenas e atuará como órgão consultivo do Estado na formulação de políticas de defesa e promoção dos direitos indígenas.
Reafirmação da proposta de transporte, hospedagem e alimentação ou aluguel social até a conclusão do Centro de Referência, da seguinte forma:
O hotel à disposição é o Hotel Acolhedor Santana II, localizado na rua do Santana nº 204 e administrado pela Prefeitura do Rio de Janeiro. Em que pese a atual rotina do hotel, há um compromisso da Prefeitura em flexibilizar as regras para receber os índios;
Os índios terão à disposição café da manhã, almoço e jantar.
O transporte das pessoas e bens será feito em veículos do próprios Estado, tanto para o local de hospedagem temporária quanto para a aldeia de origem;
Para os índios que não quiserem permanecer hospedados no hotel Santana, o Governo do Estado oferece ainda a alternativa de construção imediata de um alojamento temporário, com estrutura provisória, em três locais diferentes: na avenida Visconde de Niterói, ao lado do barracão da Odebrecht; ou em área na antiga colônia Curupaiti, em Jacarepaguá, ou ainda em área no abrigo Cristo Redentor, em Bonsucesso.
E, além disso, para os índios que não quiserem se hospedar nos locais oferecidos ou voltar à aldeia de origem, o Governo do Estado oferece o benefício do aluguel social no valor de R$ 400 mensais por família até a inauguração do Centro de Referência.
"